A Nuca

Lívido pêssego de sabor transtornado,

jasmim secreto de Afrodite,

a nuca, sonsa, poreja néctar

enquanto engendra

o ávido mistério seminal.

 

Alvo mosteiro de monjas lunares,

gatas eriçadas de arrepios

no milenar estranhamento

de desejos imemoriais:

ó placidez tormentosa dos lençóis.

 

Nuca de alvor e musgo branco

fada penugem roçada por lábios

na busca órfã do ázigo prazer,

película pétala, luz no claustro,

agro suor de lascívia e palor.

 

Íngreme e secreta nuca,

 gruta sensual, oculto jardim

mio felino, excitado coleio,

tímido e lúbrico lírio germinal

pulcro reduto virgem da mulher.


Artur da Távola

 

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