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Quando
chego aos confins do
si, só
encontro o mim e
não Deus. Quando
alcanço os limites do sou só
encontro o eu, depois o nada onde
deveria estar Deus. Sou
o meu limite, fora de mim o nada há (como
há se é nada?) Resta-me
saber se Deus é
o conteúdo do nada (e
lá reina a paz) (ou
a morte, sua morada). Mas
ainda não me aventurei nem
aprendi ao nada entrar ainda
que a passeio. Perduram
madrugadores medos
de desaparecer. Pulula,
ansiosa, a
esperança da revelação na
necessidade de crer. Nada
encontro dentro de mim além
do que já sei. E
só sei parte do que já fui, algo
do que serei. Nada
encontro além do mim ou
do saber-me. Não
sei ser sem saber. E
no entanto o ser não sabe: é, sem
precisar ser, crer ou saber. Eis
Deus. Eis-me:
co-herdeiro de eus. Artur da Távola |