Aprendizado

Quando chego aos confins

do si,

só encontro o mim

e não Deus.

Quando alcanço os limites do sou

só encontro o eu, depois o nada

onde deveria estar Deus.

Sou o meu limite, fora de mim o nada há

(como há se é nada?)

Resta-me saber se Deus

é o conteúdo do nada

(e lá reina a paz)

(ou a morte, sua morada).

Mas ainda não me aventurei

nem aprendi ao nada entrar

ainda que a passeio.

 

Perduram madrugadores

medos de desaparecer.

Pulula, ansiosa,

a esperança da revelação

na necessidade de crer.

 

Nada encontro dentro de mim

além do que já sei.

E só sei parte do que já fui,

algo do que serei.

Nada encontro além do mim

ou do saber-me.

Não sei ser sem saber.

E no entanto o ser não sabe:

é,

sem precisar ser, crer ou saber.

Eis Deus.

Eis-me: co-herdeiro de eus.

Artur da Távola

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