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O
tédio que não revelo resvala
e vela na taquicardia do
sorriso emoliente em
minha ativa participação. A
morte, amiga de infância palpita
vida na força do meu viver. Sou
segredo, dons, acasos e órfão, silenciados
em música e pickles. Meu
menino, a cirurgia, aquele cão, o não, a
morte do pai e minha irmã moram
anônimos no
quarto e sala da alma. Falo
o que calo sinto
o que guardo sob
outro eu igual ao mim bem
melhor, porém. Mas
autista. O
sexo implícito, o tesão abissal, a
gula mamada, a
timidez flatulenta, jazem
no fundo do meu mar. Escafandro-me,
debalde. Calo
constatações, blasono
brilhos suicido
sonhos, calafrio-me
a colher náuseas e
navego fés esperançosas. Sou
sem teto de onde salto para
o chão do não ser. Minha
blandícia quem
acarinhará? Artur da Távola |