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Como todo o povo brasileiro, emocionei-me com a despedida de Romário da seleção, com aquela timidez disfarçada e sua mistura de lágrimas, sensibilidade, revolta, compreensão da vida, demorada e sofrida. Ser pretensioso, começando a amadurecer, ao mesmo tempo poderoso e dependente de complexos inarredáveis, carioca, irreverente, vivido, algo descrente, tocado pelo mistério que lhe fez renascer a seriedade necessária a ser pai, vencedor eternamente inconformado, desconfiado, mais triste do que feliz, eterno insatisfeito símbolo de tanta coisa do homem pobre do Brasil. Isso me animou a trazer aos meus leitores, um antigo poema escrito quando ele foi cortado da seleção que conseguiu o penta campeonato mundial. É um breve retrato amigo simbólico e sonoro de alguém como eu que o compreende e admira. Abaixo:
ROMÁRIO: Soslaio, fagulha, viés tinhoso, corte, zás trás, diagonal capeta, cutelo, catimba raio, fulcro, ratchimbum pimenta, tiro, subitaneidade, fugidia visão de um sagüí.
Vento espantoso, rinha, aparição. Brasil real, povo sofrido, catiripapo, adestrado caipora, pixote, piá, saci genial, pinimba flash, fervor, flagrante sonso na área, sincero na vida funda, estilingue, bodoque, baladeira.
Menino livre, bola ou burica. Pitaco, pitomba, pé no chão, carisma. Cambeta, caramba, Cambaio, campeão! Lanceiro do gol, herói faceiro, autosuficiente guerreiro do povo, vencedor
03-05-2005 |