Poema Para Romário

Quando, há anos, cortaram Romário da seleção, escrevi um poema para ele e que não teve qualquer repercussão. Nenhuma pessoa gostou. Aquilo me animou. E não morreu ali. O poeta é como o goleador: insiste resiste por isso existe. Passada a festa do gol mil, fui ao poema e nele alterei o bastante. Em geral, o escritor gosta de textos seus para os quais ninguém liga e acha meio chatos os seus escritos mais apreciados. Capricorniano insistente comemoro abaixo minha visão poética, profética e cinética do baixinho, o rei do movimento.

 

Soslaio, fagulha, viés tinhoso,

corte, zás trás, diagonal

capeta, cutelo, catimba

raio, fulcro, ratchimbum

pimenta, tiro, subitaneidade

visão alerta de um sagüí.

 

Vento espantoso, rinha, aparição.

Brasil real, povo sofrido, catiripapo,

adestrado caipora, pixote,milgol,

piá, saci genial, pinimba, golmil

flash, fervor, flagrante, sacatrapa.

Sonso na área, sincero na vida,

funda, estilingue, bodoque, baladeira.

Deus olhou e disse: Esteéocara.

 

Menino livre, bola ou burica.

Pitaco, pitomba, pé no chão, carisma.

Cambeta, caramba,carambola,

Cambaio, campeão!

Lanceiro do gol, herói faceiro,

auto-suficiente guerreiro

do povo vencedor.

23-05-2007

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