Pequena Ode A Johannes Brahms

A dor em Brahms não é chorosa.

É dolorosa e valente.

O sentimento introvertido de Brahms

Desborda o sentimentalismo

E toca nas raízes do Bem.

A musicalidade de Brahms é a mistura exata

De cultura, inspiração, realidade e contenção.

 

A esperança em Brahms é timoneira,

De um rumo que o leva às essências do homem

A tristeza é sem desencanto.

O humor é para poucos ouvidos

E a profundidade para todos.

 

A música de Brahms não impõe, propõe.

Não pergunta, diz.

Não reclama mas combate.

O Deus de Brahms vive no ser humano

Mais que nas religiões. E existe.

Brahms não pede , define o que quer.

Não chora: lamenta.

Não tem pena de si mesmo,

Vive da nostalgia do não vivido.

 

Brahms é amor maduro e fiel

A todos os seus amores.

A rude delicadeza de Brahms

Atinge as alturas do sublime.

Não se entrega ao êxito

Mas almeja a glória que redime.

 

Brahms é densidade, ternura máscula,

Noites de taberna solitário, independente e turrão,

A melhor dosagem entre inteligência,

Exigência consigo próprio, emoção honrada

E coragem de Ser.

  Artur Da Távola

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