Poremar

Não poemo quando tristezo.

Poesia é luz e descoberta

Jamais chororô.

Emocionado, poemo,

Agradecido, poemo

Amar, poemo.

Jamais poente.

Tristes não poemam

Têm pena de si mesmos.

Poema é invenção

É poamar.

 

Poemo devagar, agradecido

Como quem descobre Deus.

Não poemo a leitura

Mas a reliteratura da qual sou noivo.

Nem poemo o ranger de dentes.

Poemar é levantar a saia das palavras

 é joviar, assoviar, trinar, flor e ser.

Não é arcar é arcádia,

Templo, gueto e patota.

Não é pirueta:

É relva e orgasmo verbal,

É ser Ogã do próprio mistério.

E trabalhar no cerco,

Sem circo. Só sêmem.

 26/04/06

Artur da Tavola

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