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Mais do que ser eu, sou o que fui faladoquando me perdi de mim. O ser resulta do que foi falado por classe social, pais, escola ou o que aprendeu a calar (falar) no momento (qual?) em que se perdeu de si. Salvar-se é descobrir o trágico e derrisório instante em que a criança se perde de si mesma, para ser o que dela os demais pretendem.
Há milhares de pessoas presas, doentes, perversas, maléficas, ou simplesmente maldosas sofridas ou não realizadas, que vivem a vida como tragédia mirim mas cotidiana porque se perderam da unidade fundamental de seu ser em criança e para não chorar hoje cospem ofensas, dores, das quais não se libertam.
Missa de Requiem para o que poderiam ter sido em dádiva, amor e construção.
A elas, como a nós, ternura e compreensão. Artur da Távola
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