Regina Duarte E O Medo

        Vivi, vivenciei e de algumas participei dentre as seguintes crises no Brasil: Suicídio de Getúlio em 1954, Impeachment de Café Filho, seu Vice Presidente. Tentativa de golpe contra a posse de Juscelino abortada pelo patriotismo do Marechal, então General Lott. Dois levantes da Aeronáutica durante o governo Juscelino, que a tudo serenou anistiando os revoltosos de imediato, Já Deputado Estadual na década de 60, vivi a renúncia do Jânio e a tentativa de golpe contra Jango. Com o impulso generoso da juventude estava eu na UNE quando esta foi invadida e fechada por um Coronel chamado Ardovino, metralhadora em punho, e vários soldados, isso em pleno Estado de Direito. Eu era deputado estadual e em protesto, instalei a UNE e a UME dentro da Assembléia Legislativa do então Estado da Guanabara, para desespero do Presidente da Casa, já falecido, o ponderado e correto Deputado Lopo Coelho.

Ainda no rastro dessa crise, participei nas ruas do Rio de inúmeros eventos e choques com a polícia pela posse de Jango, (foi o grande momento histórico de Brizola lá do Sul) o que acabamos por obter pela metade com o retorno de Jango (estava na China) e sua posse já sob o regime parlamentarista (pena que não continuou).

 Poucos anos depois veio o golpe militar e avisado por dois Deputados do partido contrário ao meu, mas amigos e respeitadores dos Direitos Humanos, fui aconselhado a sair do País.  Asilei-me na Embaixada da Bolívia. Viajei para este País por mim amado e de lá fui para o Chile, também amado, onde permaneci por quase quatro anos e lá nasceram dois de meus três filhos. Voltei ao Brasil em 1968 e pouco depois veio o Ato Institucional Nº5 com toda a sua carga de violências. Passei esse período inteiro no Brasil, sem Direitos Políticos, a exercer o jornalismo e a lutar a meu modo sereno, no campo das idéias, pois ademais de palestras, artigos etc.tive a honra de ser Primeiro Vice-Presidente da ABI, no período de Barbosa Lima Sobrinho, convidado por ele (honra que carrego), nos anos de chumbo quando botaram bombas na OAB e chegou a haver uma ameaça na ABI. Portanto minha atividade não foi coisa pouca, como diz o povo.

Nada disso falo por vanglória ou imodéstia. Em todas essas lutas tive momentos de susto. Grandes. Porém nunca tive medo. Sentia que o Brasil iria voltar á democracia um dia. Voltou.

Quando a Regina Duarte disse que tinha medo do que estava por vir  no governo do PT foi crucificada pelos setores do PT com uma visão antiquada do que é a esquerda moderna e “torturaram” simbolicamente com a “patrulhagem” de plantão. O tempo mostrou que a atriz estava repleta de razão. Pois semana passada houve dois dias em que senti medo. Sim, medo. Não pessoal, mas com o que pode ocorrer ao País se o Presidente Lula insistir no confronto e na negação da realidade. Sexta feira ele aliviou. Mas só um pouco, É preciso muito mais do que um discurso aguado, mas acredito sincero, para não despencar o Brasil em grave crise na economia, na política e nas suas instituições. Dá medo, pelas conseqüências.

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