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Divido
as pessoas em quatro categorias: 1) Os criados por mãe; 2) os criados por
pai; 3) os criados na escola; 4) os criados na rua. Apresso-me
a dizer que não há, quase, tipos puros. São raríssimos. Em geral, dois
tipos de criação predominam. “Criado por” é a maneira popular de
tipificar o “molde” educacional preponderante na formação de alguém.
Em cada pessoa domina um tipo de modelagem (educação?). É o que mais o
influenciou. Ele pode ter, por exemplo, presença fortíssima dos pais na
educação, mas haver incorporado a formação recebida na escola, ou na
rua. Começo
por mim. Sou um típico criado por mãe e rua. O pai morreu cedo e a
escola, mesmo, foi a da vida. Autodidata, vou em frente, ousado. A mãe
opera na linha da sensibilidade e a rua, na da sabedoria. O
machão, por exemplo, é um tipo criado pelo pai com forte influência da
rua. Ou só da rua. Pessoas mais idosas e de classe média para cima,
vindas de um tempo sem muita psicologia e com crianças afastadas dos
adultos, estas, em geral, comportam-se como criadas por escola. Por
exemplo, de alguns colégios famosos do Rio como o Santo Inácio, o
Andrews, o São Vicente de Paulo resultaram adultos que são a cara do
jeitão do colégio onde estudaram... Podem reparar. Repito
que ao dizer “criadas na escola” pretendo dizer que a formação da
escola é preponderante em seu comportamento. Não que inexistam influências
outras, de pai, mãe ou rua. Tomemos um intelectual típico. É evidente
que nele predomina a criação da escola: tudo é para ser resolvido pela
inteligência. Sua ânsia (e ilusão) é o saber. É
evidente que tudo isso que escrevo como leve crônica, merecia um estudo
aprofundado e intelectual. Mas como sou formado na rua, esta traz-me o
vezo vulgar ou vulgarizador que cá entre nós, os formados pela escola
por certo detestam. Fosse eu, em vez de rua, formado por escola e este
tema não seria matéria jornalístico, e sim, tese. Nem seria eu um pobre
escritor. Seria um solene professor. 01-12-2004 |