|
|
|
SENHORA DO DESTINO (2) Desde ontem analiso o subtexto da novela Senhora do Destino: aquilo que está latente na obra, a significar fortemente valores e intenções do autor, digamos, por dentro da história. Esta é dominada pela dinâmica inerente ao gênero telenovela: vale o capítulo, muita ação, acontecimentos estapafúrdios, tanto faz se verossímeis ou não, muitos com excesso de coincidências e com as chaves de sempre para o sucesso do folhetim, o que para mim não é defeito: é meio. O fim é o conteúdo. E o do Aguinaldo Silva é atual e forte, pela disseminação de valores, alguns internamente contraditórios. Ontem comecei, hoje concluo: 6) reconhecimento da força de vida e capacidade de luta do nordestino emigrado para o sul (Maria do Carmo e o irmão); 7) crítica implacável à dureza e preconceitos da classe dominante; 8) realce à velha aristocracia (Barão e Baronesa), bem mais próxima de reconhecer os valores emergentes no povo pobre, do que a burguesia rica e intolerante ( ainda que, nesta fase da novela, o pai se reconcilie com a filha); 9) delineamento interessantíssimo da personagem Maria do Carmo. Um achado. Não apenas por seu papel na trama ou pelo bom desempenho da atriz. No subtexto, valores éticos e morais elevados não impedem e, até mesmo, geram o comportamento autoritário, dominador; 10) valor atribuído, implicitamente, à união familiar, como fator de equilíbrio no espaço social; 11) alerta oportuno para a questão da gravidez precoce (Daiane), grave problema da atualidade; 12) homenagem à miscigenação ocorrida no Brasil entre portugueses e negras brasileiras, ao nosso país mestiço e a seu povo valoroso e trabalhador;
13) A esmagadora maioria,
do aposentado com salário injusto não pode ser simbolizada por tornar-se
alcoólatra ou digna de pena (personagem de Flávio Migliaccio). Mas a
denúncia da injustiça é mais do que válida. |