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Texto Que
Gostaria De Ter Escrito
Todas as
pessoas que escrevem às vezes encontram um texto que as obriga a pensar
ou a dizer: “-Puxa, este é o texto que gostaria de ter escrito e outro
já o fez com maior precisão e brilho. Pois deu-se comigo nesta semana:
Li na internet algo que me deu a vontade de ter escrito antes do autor
que depois soube ser o Pastor Ricardo Gondim.
Não
pense o meu editor que estou “matando” trabalho. Mas este definiu com
precisão absoluta o que se passa com uma pessoa na minha idade e que já
viu e viveu tanta coisa do chamado mundo externo, que o máximo que
deseja é seguir no trabalho para o qual é vocacionado e na deslumbrante
aventura do mundo interior. O texto de RicardoGondim chama-se “Tempo que
Foge”“ e diz o seguinte:
“Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para
viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele
menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou
displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não
tolero gabolices.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando
seus lugares, talentos e sorte. Já não tenho tempo para projetos
megalomaníacos.
Não participarei de conferências que estabelecem prazos
fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para
eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio. Já não
tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas,
procedimentos e regimentos internos.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas,
que apesar da idade cronológica, são imaturas. Não quero ver os
ponteiros do relógio avançando em reuniões de "confrontação", onde
"tiramos fatos à limpo". Detesto fazer acareação de desafetos que
brigaram pelo majestoso cargo de secretário do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "as
pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos". Meu tempo tornou-se
escasso para debater rótulos.
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,
muito humana; que sabe aceitar tropeços, não se encanta com triunfos,
não foge de sua mortalidade, defende a dignidade, exercita a espontânea
sinceridade e deseja andar humildemente com Deus.
Caminhar perto delas nunca será perda de tempo.”
07-06-2007
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