Tom Jobim  (III)  

           Ele nasceu na Tijuca porque a família andava parca de economias e não podia morar em Copacabana como gostaria. Mas logo em criança foi para Copacabana e só alguns anos depois, para Ipanema. Seus pais viviam fase de conflitos constantes. O pai era um gaúcho forte, grandalhão, bonito, intenso, ciumento, com tendências depressivas tratadas no álcool. Nascera em São Gabriel, na fronteira.  Da mãe, dizia Tom: “Minha mãe era maravilhosa. Eu sou um autêntico filho da mãe”, brincava, e logo seguia em seriedade, como era de seu hábito, acrescentando: “Minha mãe era bonita, depois separou-se do meu pai, meu pai morreu e ela se casou com Celso Frota Pessoa.  Meu padrasto me ajudou muito, inclusive me colocou para estudar piano. Mas eu era menino, gostava de jogar futebol, praia, ficava mergulhando no Arpoador.” Ele gostava de contar lances da infância e da juventude no Arpoador, Ipanema, onde gostava de pescar com o amigo Kabinha.

            Outra recordação distante mas forte em  sua sensibilidade é a do som da voz de sua mãe a cantar canções francesas. Durante toda a vida ela foi uma pessoa alegre. Juntamente com seu pai (dela, Dr. Azor) fundou o Colégio Brasileiro de Almeida, em Ipanema. O menino Tom estudou nos Colégios Mello e Souza, Mallet Soares - era bagunceiro, gostava de contar anedotas na sala de aulas. Garoto, rapazote, tocava uma gaitinha de boca e foi nessa época que chegou o primeiro piano em sua casa. Mas já dedilhava toscamente o violão dos tios. O primeiro piano se dirigia às aulas de música e de balé do colégio de sua mãe e foi posto na garagem da casa enquanto não faziam o transporte. Era um Beckstein, alemão, antigo, alugado. Ali ele começou a ter o encantamento dos sons do piano. Na garagem da casa....dedilhava, nada de estudos regulares, começou a tocar de ouvido. Tinha por esse tempo 14 anos.

             E assim, baseado em informações de sua irmã Helena, romancista importante, (é dela a talvez melhor biografia subjetiva do artista Tom Jobim), busco recuperar momentos marcantes de uma infância e adolescência que jamais o deixariam  como marca, influência, lembrança, formação da sensibilidade.

16-12-2004

 

 

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