Tom Jobim Menino

Semana passada fez dez anos da morte de Tom Jobim e, desde então,  a sua consagração crescente. Venho dedicando algumas palavras sobre ele, cuja sensibilidade artística, a meu ver, foi decisivamente influenciada pelos acontecimentos de sua infância. Sua mãe, Dona Nilza, é figura central em tudo isso. Ficou viúva com pouco menos de 25 anos.  Fora uma mulher esmagada pelos ciúmes enfermiços do marido, mas com vocação para a alegria e talento artístico diversificado – cantava, tocava violão e chegava a fazer alguns versos. Escolheu, porém, dedicar-se predominantemente à educação dos filhos e, pouco tempo depois de ficar viúva, à fundação e desenvolvimento do Colégio Brasileiro de Almeida. O pai de Tom, que deixou subitamente (bebia) o lar, foi um homem inteligentíssimo e psiquicamente complexo. Morreu cedo, separado da mulher. Ela, depois, encontraria na sua vida um bem, Celso Frota Pessoa – homem  agnóstico, de esquerda, com a mesma idade de Nilza, não tão belo e sedutor quanto o marido, porém um ser de bondade, dedicação, que lhe trouxe paz e serenidade. No magnífico livro Antonio Carlos Jobim, um Homem Iluminado, de Helena Jobim (irmã de Tom), há esta frase significativa sobre a segunda união de Nilza: “O amor tranqüilo que ela não tinha conhecido com Jorge, descobriu maravilhada com Celso. Ele era simpático e gentil. Jamais a ofendia e confiava nela. Resolveram se casar. Nilza pediu licença ao filho. Antonio Carlos autorizou. Nilza foi feliz nessa união. Celso amou Tom e Helena profundamente. Em todos os momentos de suas vidas os estimulou e compreendeu. Referia ele, alguns anos mais tarde, quem primeiro acreditaria no grande talento musical de Antonio Carlos Jobim, ajudando-o em sua difícil decisão de tornar-se músico.” 

Isto, de modo sucinto, porém preciso e essencial,  o que ocorreu após a morte do pai. Mercê de uma inspiração da sorte e energia de vida, a mãe amorosa  iria refazer sua vida com outro homem,  o bondoso e terno Celso, que a amava de um modo sereno, assegurando a solidez afetiva  necessária à formação de Tom e Helena.

A infância, sempre a infância!

 15-12-2004

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