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Há olhares rapidíssimos e fugidios, capazes de muito dizer. Um deles é o olhar que pede aprovação. Ele tem a rapidez do raio e logo se disfarça. É um dos que mais me comovem. Passa rápido, geralmente a pessoa o segura, disfarça e enfeita tanto, que o destinatário nem o nota, na infinidade de expressões do olho ao longo de qualquer conversa. E nunca o percebemos, quando ele sai de nós. O olhar que pede aprovação é de entrega muito funda. Vem das regiões mais inseguras e se apresenta tanto em trivialidades do convívio, quanto nos momentos graves da relação humana, aqueles da decisão, dos encontros ou desencontros essenciais. Ninguém o controla. Disfarça-o como pode. Desobediente a controles e defesas, ele não tem relação com o racional. Pode surgir no momento de pedir a vaga que sobra no elevador, ou no instante em que, percebendo a incapacidade de sermos aceitos, ele aparece. E nada resolve. No adulto, esse olhar é a criança presente. Implora, disfarçado em inteligência, brilho, talento ou conhecimentos. Rasteja, pedinte. Ou aparece vertiginoso e disfarçado no auge da grande frase, da afirmação enfática, do momento de grandeza, coragem e até nos heróis, nos grandes, nos destemidos. Como no medo, covardia, desespero ou brilhante defesa de tese. Nos cínicos, é interrogante, conclusivo, perguntador e assume tons de esperteza. Nos espertos, empresta súbitas aves e inesperadas rapinas a seu dono. Nos poucos verdadeiramente humildes, é flor, buquê, constância, simplicidade. Já observaram flor de estrada? Assim é o olhar que pede aprovação. Disponível. Humilde é quem aceita em paz a sua necessidade de proteção. Aliás, a verdadeira humildade não é um ato de razão. É algo bem mais profundo... Nos cultos ganha ares de convicção. Nos tímidos, o olhar que pede aprovação dissimula orgulho, não necessidade, silêncio, distância, indiferença até. Nos bons é espelho: reflete a própria necessidade, na compreensão da necessidade do próximo, protege, entende, agasalha, não julga, não diz "faça isso" ou "faça aquilo". É quando ganha o tom da compreensão. Na mulher, só vem no choro. Nunca fora daí. No filho, às vezes cansa de tanto ter vindo sem a percepção dos pais. Perceber no ato o olhar que pede aprovação e logo vislumbrar a região humana de onde veio é arte para poetas, santos e loucos. 28-02-2006 |