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Muita gente sabe que faço um programa sobre música clássica na TV Senado e na Rádio MEC. Hoje vou falar de mim, perdoem a exagerada auto-referência, mas transcrevo uma entrevista concedida a um grupo de jovens que possuem um blog delicioso, alegre, simples e culto: http://undhayoeventos.zip.net 1-Qual é o público alvo do programa "Quem tem medo de música clássica"? R - Todas as pessoas possíveis. Busco uma linguagem ao mesmo tempo séria e precisa, bem humorada, porém simples. Uso a experiência de 48 anos de jornalismo. Nem a fala autoritária, nem a fala erudita da norma culta, nem a fala chula e falsamente simplória. 2-Qual artista ou obra que agrada mais os jovens? R - Impossível dizer. Mas os jovens de hoje apreciam deveras o violão. E gostam também de obras sinfônicas, principalmente quando tocadas ao ar livre assim como nos grandes shows de rock. Quanto a compositores, os populares são os de sempre: Tchaikovski, Beethoven, Bach, Verdi, Stravinski, Chopin e Schubert . Entre os brasileiros, Villa Lobos e Carlos Gomes. 3-Hoje, na sua opinião, quem se compara a grandes mestres como: Mozart,Vivaldi, Bach, etc.? R - Ninguém se compara a eles. Em arte não há melhores. Há afinidades de cada pessoa com alguns autores. Alguns amamos, outros admiramos, de outros não gostamos da pessoa, mas amamos a obra; alguns chegam a ser nossos irmãos. Arte não se compara. Equipara-se. Por exemplo: muito admiro Wagner. Já Brahms é meu irmão. Beethoven é meu vizinho. Schubert é como se fosse meu filho e Schumann, um amigo da vida inteira, Bach é meu avô e Vivaldi, meu primo. Dá para entender? Tudo é questão de empatia. 4- Como surgiu a idéia do programa ? R - Surgiu de um projeto que realizo em rádio há muitos anos: em vez de ser um músico a falar de música, é um escritor. Os músicos falam para seus colegas e o público bóia. O escritor procura a precisão verbal dentro do inverbalizável da música. É um treino magnífico e um exercício fascinante. Nasceu, também, de meu sentimento de dever: devolver à música, divulgando-a, tudo o que ao longo da vida ela me deu de fraternidade, beleza, elevação e companhia. 5-Você comenta que os fãs de heavy metal assistem seu programa (eu sou uma deles), você tem contato com o som de bandas como: Rhapsody (Itália), Nightwish (Finlândia), Angra (Brasil) entre outras que misturam música clássica com metal? R - Meu contato com Heavy Metal é mínimo. Para mim o rock é muito mais uma importante manifestação sociológica que musical. Isso não lhe retira o valor. Adoro música popular tanto quanto à chamada erudita. Deus me fez insuportavelmente eclético. Mas ouço pouco rock. Questão de hábito. 6-Qual sua obra favorita? R - Não tenho obra favorita. Não consigo. Creio que buscar melhores, selecionar demais, limita. Considero importante aprender a gostar além e aquém do próprio gosto. O contrário disso é um conservadorismo estético e paralisante. 7-Como você começou a trabalhar com música?
27-01-2005 |