Zoster E Amenidades

            Sou noveleiro, sim. Do tipo que acompanha novela do início ao fim. E não apenas uma. Considero-as um importante gênero de literatura popular que, apesar de incongruências inimagináveis -- ou imagináveis (tanto que lá estão e fazem sucesso), contam com bons personagens, ótimos atores (a salvarem as inverossimilhanças; o excesso de gente a escutar conversas atrás das portas e a quantidade de coincidências), autores de talento e tarimba, produção impecável, ótimos diretores e alguns personagens muito bem bolados. Observando as novelas, digo sempre e mais uma vez, para mim mesmo e para quem me lê, ao concluirmos mais um ano: assim como somos bons em futebol e música, eta país para fabricar bons atores! É impressionante a qualidade e a quantidade de bons, ótimos e grandes atores que temos. Alvíssaras.

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            Hoje, quase só leio livros sobre estética, música, poesia e vida de santos. Entre eles, há três livros imperdíveis, da safra recente, que deixo como sugestão para o seu Natal ou de alguém a quem estima: 1) a notável Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana, obra que ombreia o compositor carioca Nei Lopes, seu autor, a bambas do gênero como Edson Carneiro e Câmara Cascudo; 2) a primorosa tradução de Ivan Junqueira da obra completa do contraditório, discutido e maravilhoso poeta T.S.Eliot; e 3) A História da Beleza, de Humberto Eco, mais uma obra prima, esta de grande clareza, erudição, informação, um belíssimo livro ademais ilustrado primorosamente.

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            O dermatologista olhou para as minhas bolhinhas (papilas) na testa e sentenciou de imediato: herpes zoster! Ora, sou um homem que vive das palavras. Aquela me estarreceu: zoster. Imaginei uma espécie de Alexandre, o Grande, de Gengis Khan, o Conquistador,  algum herói lendário lá da história dos vírus.  Zoster!  E era! Calmo, o médico acrescentou: Prepare-se para sentir muita dor. Agora, enfim, a dor se foi, mas as manchas vermelhas permanecem e ardem. Meus amigos, o tal de zoster vem do inferno com agulhas de um fogo que não se apaga fácil. Fujam dele.

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            Todas as noites, no curso das novelas, fico atento ao esforço daquele sabonete Albany para se fazer conhecido. O grupo marcha, dança, dá cambalhotas, mergulha. Os sabonetinhos até já se esfregaram sensualmente: o Albany masculino e o feminino. Tem Albany para branco, moreno, negro, chinês, diabético... O empenho dos sabonetinhos  me enterneceu. Eu só uso ou o velho sabonete Granado ou sabão ou sabonete de coco, mas decidi: vou comprar o Albany. Cheguei à Farmácia e pedi. Só que algo não me soava bem. Ao colocar no banheiro, algo ainda não me soava bem. Logo ficou claro: confundira os nomes e pedi Vinólia. Todo aquele esforço, em vão. O meu e o dos sabonetinhos.

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            De doer de tanto rir, as imitações do Maluf e do Chacrinha feitas por Agildo Ribeiro. Que grande ator de humor é ele!

21-12-2004

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