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Algumas comparações entre as obras “Transparência” e “Luzes da madrugada”.
Luis Alberto C. Guedes em seu livro "Transparência", apresenta uma ternura simples, emocionando o leitor a cada leitura. A obra está repleta de um lirismo maravilhoso, equilibrado no conteúdo, diferenciando-a de outras que perambulam pelo mercado editorial. Porém o livro é sério ao enfocar a temática do amor. Para tal, utiliza umas linguagens simples, cheias de melodiosos versos escritos corretamente, transformando o fazer poético em algo transparente, versátil e belo. Os exemplos do que foi mencionado, são encontrados nos versos: Antes de começares ler Estes pedaços de vida, Estas lágrimas de saudade, Estes sorrisos de agonia, Estes sorriso de esperanças Estas ironias existenciais Que te dedico, Quero fazer meu "OFERTÓRIO" Aos entes que me inspiraram... Ofertório (pag.11) Observa-se neste pequeno trecho acima, vontade do poeta em relatar sua visão da vida, através do amor. É o sentido da amar que o transforma em um ser com S maiúsculo, capacitando-o para modificar o mundo que o odeia em alguma coisa profunda, alegre. É a poesia transbordando de possibilidades jamais imaginadas, pois a sensibilidade do poeta vai longe, apresentando uma musicalidade especial, fornecendo a precisa Vida ao poema. Nada é exagerado na poesia de Luis Alberto. As suas colocações são corretas, envolvendo o leitor ao longo da leitura. O trabalho poético sempre vigoroso, transcorre suave, como se o trabalhar poético fosse um antigo conhecido. Ele e o poeta travam duradoura amizade. A poesia nunca dá problemas de construção para o vate. Afinal, são amigos íntimos. Continuo apresentando versos incríveis para deleite do leitor. Ainda exala pelo ambiente O teu perfume de açucena E toda sala se engalana Com tua beleza e graça. Tudo se extasia ante teu riso De angelical pureza E por onde passas tudo é festa A te homenagear a natural beleza. ÊXTASE (pág. 21)
Uma das características que chama atenção em Transparência, são as letras maiúsculas no início dos poemas, ao invés de minúsculas. Isto tem como objetivo proporcionar grandiosidade ao tema. Além disso, vocábulos como: pureza, angelical, angalana, festa e beleza, oferecem o dinamismo melódico, enriquecendo a poesia acima. Este é exatamente um dos motivos pelos quais o trabalho de Luis Alberto Costa Guedes é notável. Contudo, irei adentrar um pouco mais em meus comentários. O talento de Luis Alberto na escolha de rimas descomplicadas, oferece um novo caminho para a poesia do referido livro. Afinal, Transparência possui a construção exata entre forma e conteúdo. Tais elementos tornam os versos do poeta em coisas extraordinárias, transcendentes. És ainda a flor agreste De perfumar tão puro És ainda uma visão celeste A iluminar o meu caminho escuro. ÊXTASE (pág. 21) Observe o leitor os cuidados de Luis Alberto na utilização das rimas: agreste com celeste, puro com escuro, perfumar com iluminar, as quais, além de outras, ilustram as argumentações dos parágrafos deste texto. O livro "Transparência" oferece ao leitor um rico material vocabular, cujas temático regional muito bem elaboradas, são capazes de influenciar os poetas das futuras gerações. Portanto, trata-se de uma obra magnífica, a qual deve ser objeto constante de leitura e pesquisa literária. Na obra da poetisa Aracy de Mont´alverne "Luzes da Madrugada", verifica-se o imenso carinho com que retrata a cultura amapaense. Aliás, esta é uma das características do mencionado livro. O prefaciamento de "Luzes da Madrugada", elaborado pelo escritor e poeta Fernando Canto, menciona dentre outras coisas o seguinte: "A poesia da professora Aracy também é histórica. É pesquisa. É vivência. Desde os "Mistérios da Amazônia" ao "velho Pajé" , de "rio Amazonas" a "Roceiras", nota-se uma linguagem singela, mas de uma sinceridade especial." Fernando continua sua explanação. Porém como é longa, decidi interrompê-la. Todavia, dá para o leitor ter uma ligeira idéia do livro, bem como apresenta uma poetisa com um vasto conhecimento poético. Portanto, o trabalho de Aracy é um somatório de pesquisas históricas, culturais e sociais do Amapá, valorizando seu trabalho como poetisa. Numa homenagem à Macapá, Aracy magistralmente toca fundo a alma da cidade, ao apresentar em "Macapá Cinderela", o jeito de menina interiorana da cidade, a aquisição de novos conhecimentos proporcionando radical mudança sócio-intelectual etc. A poetisa termina o poema com uma homenagem ao protetor da cidade, Governador do antigo Território Federal do Amapá, senhor Janary Gentil Nunes. Nota-se um excelente trabalho de pesquisa histórico-literário no livro "Luzes da Madrugada". Este fato engrandece ainda mais a literatura amapaense. Contudo, a riqueza da citada obra não cessa por aí. Existem outros elementos fundamentais neste livro, os quais contribuem significativamente no engrandecimento da literatura do Amapá. Mas, o assunto é longo para ser colocado de uma vez. (ler os quatro últimos parágrafos) A poetisa constrói seu universo poético de forma gradual. Temáticas variadas por exemplo, fazem parte da obra Aracyana, a qual ainda apresenta novas abordagens poéticas. Enfim, comentar sobre este livro é sempre um desafio gratificante. As características poéticas apresentadas em "Luzes da Madrugada" são inúmeras. Menciono algumas mais importantes: exaltação do nacionalismo, regionalismo (vocabulário e a cultura do Amapá), religiosidade, saudosismo, cultivo de valores familiares e morais e educacionais. As influências da escola romântica são identificadas pelo leitor no decorrer da leitura. Aracy é uma das representantes mais destacadas e respeitada do romantismo amapaense. Como isto não bastasse, também exerce sua poética de um modo profícuo e interessante, ou seja: com sensibilidade, equilíbrio lírico e mensagens repletas de encanto. Não desejando tornar-me chato nas explanações, irei demonstrar o assunto acima, através de trechos do livro. Nesta simples narração, fiz um poema de uma história, fazendo a comparação de uma cidade humilde do interior do Brasil com uma pobre menina que de repente tornou-se muito famosa e gentil!
Macapá já foi outrora ama menina do mato... Tão pequenina, tão franzina, doentia, retraída, e que vivia esquecida... Muito pálida e quieta, Era quase analfabeta... Macapá Cinderela (pág. 13)
A escolha vocabular (cidade humilde, pobre menina, menina do mato, vivia esquecida, tão pequena, tão franzina, muito pálida, muito quieta, quase analfabeta) enfatiza a situação sócio-econômica da menina, fornece imagens ideais para enriquecimento do tema. As palavras vão ganhando a energia necessária, a fim de aconchegar o leitor nos braços poéticos da poetisa. O poema engatinha, supera obstáculos e presenteia o leitor com versos suaves, gostosos de ouvir, pois proporcionam a magia necessária para a obtenção do efeito desejado: o despertar da cidade para uma condição social melhor, mais digna. É o avanço da técnica e da educação, apresentados num ritmo cadenciado, sutil, dando um aspecto formal interessante neste trabalho. Meu país, é tão belo, tão rico, tão fecundo que outro igual, eu não sei neste mundo! Possui rios caudalosos, cascatas de água claras que dançam, encobrindo pedras as mais raras! Meu País (pág. 21) A estrutura formal do poema, empresta-lhe um tom ufanista, próprio da escola romântica. O domínio total da poetisa para construí-lo, colocam-na no topo da poesia do Amapá, conjuntamente com as de outros poetas consagrados. Aracy é uma das melhores versejadoras amapaenses. Coloca os versos onde quer e da melhor maneira. Na curva do rio, numa barraquinha toda de sapê vive há muitos anos um pobre velhinho que ali é o pajé.
O dia inteirinho ele passa na rede, olhando pra longe... distraidamente, batendo com o pé. não roça, não caça, pesca algumas vezes, um tucunaré. O Velho Pajé (pág. 17)
Conforme observei neste pequeno trecho, há uma identificação regional da poetisa com o povo amapaense. É a escola romântica sobressaindo-se no trabalho literário de Aracy. Ela escolhe as palavras como: barraquinha, pobre velhinho, (inteirinho) para valorizar a condição de envelhecimento do pajé. Além disso, trata carinhosamente o ancião ao usar o diminutivo, enriquecendo o conteúdo do poema. Isto dá um tom de leveza para um assunto tão sério: a velhice. O aspecto melancólico é encontrado nos versos abaixo: Olhando pra longe ... distraidamente, batendo com o pé. Não roça, não caça, pesca, algumas vezes, um tucunaré.
Bem, espero que tudo que foi enfocado aqui, sirva para o leitor, aumentando seus conhecimentos. Afinal, apresentei aspectos interessantes em ambos os livros. A palavra final cabe ao leitor.
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