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Colaboradores - VMD

"Poema" - O sanque que jorra em minha alma
João Ayres

O sangue que jorra em minha alma
Esbarra em palavras mortas lá no fim do mundo
E eu  falo sozinho como um fantasma louco
E digo que é rubro este anoitecer de luzes que desmaiam.
 
E digo que ninguém jamais baterá á minha porta
Que estou pronto para singrar o desértico além irrevelável
O mundo dos mortos que se abre á minha frente sem alarde
Inalterável como as águas que escorrem na eterna sina dos proscritos.
 
 
2-O tempo não sorri e a terra treme em algum lugar.
Um trovão,um relampejar,um raio que parte uma árvore ao meio.
 
Da janela observo este início de catástrofe.
Um cachorro morto que me olha como se já houvésemos sido enterrados.
 
Gosto das tempestades e dos ventos imprevistos.
 
O correr da chuva e os olhos fechados em profundo silêncio:
Nada  mais resta em meu espírito que escurece.