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Na formação primeira fui poeira etérea. Nas eternas fissões dos átomos dos mundos, E me fizeram terra e água e a matéria E o sexo fecundo.
Sou produto de tantas forças antagônicas, Forças, umas atávicas, outras modernas. Biblicamente sou produto das orgânicas Massas de barro e dos pecados das cavernas.
Sou fruto das caçadas, lutas e do medo, De disputas tribais, deuses imateriais, De grandes descobertas, de simples segredos, De fogos fascinantes e horror dos temporais.
Fruto das guerras, fome, das epidemias, Das explosões atômicas, dos grandes mercados, Das ondas hertesianas, ganâncias doentias, Das grandes descobertas e homens programados.
Refletem no meu ser influências tamanhas De alimentos, hormônios das funções vitais, De mil ebulições nos vasos, nas entranhas, Das sensações de angústia e das pressões morais.
Mas também sou produto do raiar da aurora, Do sol poente, à tarde em fresca viração, Da rosa, do jasmim, da cascata que chora, Do sorriso, do olhar, da alma na canção.
Em mim também reflete o sossego dos campos, Da semente plantada e do fruto colhido, Do rebanho paciente e luz dos pirilampos, Da oração não falada e o desejo contido.
Sou produto, também, de dois seres amados, Do ventre que gerou-me o décimo, no afeto, Amamentado ao seio, entre amores, cuidados, E do amor paternal do homem rijo e correto FAHED DAHER (Do livro Salve lindo...)
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