|
André Luis C. aquino |
|
Por que as palavras dele são tão felizes e alegres Quase sempre rimam E as minhas são tão tristes, apagadas e sem graça? Por que será que ele consegue ver flores Nascendo entre velhas rochas E eu só vejo pedras que criam limo Por estarem sempre paradas no mesmo lugar? Ele vive no entretempo, entrementes e nas entrelinhas Infiltrado nos meandros de alguém e mesmo assim Vive preenchendo os vazios e lagunas de outrem E eu me perco até pelos caminhos E pelos atalhos Que eu mesmo escolhi Ele caminha nas nuvens e voa sem asas Ao entardecer ou pela noite escura E eu estou sempre preso ao chão Com medo de altura Fala de amores possíveis e impossíveis Como se tivesse mais de um coração E eu ainda não sei o que é amar ou amor Ou qualquer tipo pleno de emoção Ele vê em cores Eu em preto e branco Ele ouve em estéreo Eu sou quase surto Ele sonha Eu lamento Ele transcende Eu me contenho Ele conhece os recantos da própria alma Enquanto eu me escondo atrás De quem eu não sou Ele se reinventa Eu me basto Ele escreve E eu leio... |