Monte Arraes

Meu patrono na Academia Virtual Brasileira de Letras

A INFLUÊNCIA SIMULTÂNEA OU SUCESSIVA DOS GRANDES ESTADOS
Por Monte Arraes
escritor, político, advogado, Jornalista, Humanista, constitucionalista

(DO seu livro Decadência e Redenção do Nordeste)
Edição de 1975

De toda larga incursão aventurada pelas diferentes partes do presente trabalho, um fato ressalta como síntese irrefutável: o de que a dolorosa conjuntura que pesa sobre todo o Nordeste, quiçá sobre o Norte inteiro, é fruto da desídia dos dirigentes do país e nunca uma conseqüência derivada das premências geográficas, ou melhor, da instabilidade das alternativas climáticas, que afligem seus habitantes. Este é o fator permanente, ainda que removível. Demos-lhe, pois, a categoria de principal.Ele ostenta, na concorrência das causas, a parte mais relevante. Entretanto, não está isolado e pode sofrer, ao influxo dos demais, acentuadas oscilações na sua danosa incidência e na intensidade dos seus terríveis efeitos.

Outros fenômenos de caráter interno, com ele sincronizados, são, na convergência dos acontecimentos, tão responsáveis quanto ele próprio, senão pela deflagração da crise, ao menos pela sua indefinida conservação e pelo constante agravamento.

Estas variadas concausas que são, como ficou demonstrado em todo o corpo deste livro, ora peculiares ao próprio meio e ora a ele integralmente estranhas tem como maior constante, ou como denominador comum mais categorizado, a política de subalternização seguida pelos nossos grandes Estados.

E, do mesmo passo, a força inibitória e negativa das unidades que centralizam o governo federal, o poder de que emanam todos os flagelos que se contrapõem ao ressurgimento do Nordeste e do Norte do país.

A história política e administrativa do Império e da República documenta e ilustra, de modo formal e elucidativo, esta insofismável assertiva. E como somente São Paulo, Minas e Rio grande do Sul, freqüentemente articulados entre si, tem a posse dos poderes gerais da Nação, só esse conjunto trinitário pode, coerentemente, ser apontado como o mais responsável pelos atos prejudiciais ao sadio desenvolvimento de todas as partes que constituem a Nação, como uma unidade política soberana.

É verdade que no curso dos acontecimentos, a culpa de qualquer deles em relação a cada hipótese, nem sempre, é idêntica a do conjunto. A posição que, historicamente, cada um assume diante do governo, compele-os a variar suas atitudes diante da servidão política do Nordeste, tornando-a aqui mais patente e mais direta, e ali, mais disfarçada e impalpável.

Mas, ao contrapesarmos, através dos ciclos do seu poderio, a influência de cada um deles, acabaremos por surpreender que, por ato ou omissão, todos três se contrabalançam na tarefa de desvalorização de uma das mais importantes porções de nossas bases etnográficas.

É de atentar, contudo, para não mentir à coerência e à isenção, que, desde a posse de Minas no melhor quinhão dos proveitos do governo geral, de modo especial a datar dos albores da nacionalidade, em favor dela também ocorreram as melhores oportunidades para dar força e expansão aos seus sentimentos de comando.

Particulares pertinentes à forma de evoluir, de uma das unidades beneficiárias, relativamente às outras, no decorrer do tempo, por vezes influíram para tornar mais ou menos ostensivo o seu poderio, em confronto com as duas outras.

Entre os múltiplos fatores, que podem ser declinados como responsáveis por tais efeitos representa-se-nos como um dos mais dignos de registro, pela sua proximidade histórica, o que nos adveio, depois de 1930, da interferência da ditadura nos assuntos privativos do Estados.

Enquanto Minas, participando do poder central, apoiada no seu dilatado autonomismo, estável e de feição acorde com o seu secular particularismo, desfrutava sua influência, São Paulo, era destratado com a presença de um governo de cunho militar, severamente manejado pelo Rio Grande do Sul, auspiciado pelos seus co-usufruidores do outro lado da Mantiqueira.

Sabem todos, isto, aliás, já demonstramos alhures, que a ditadura instalada no país em 1930, deu a Minas e a São Paulo tratamento inteiramente desigual, favorecendo a primeira e inegavelmente desfavorecendo o segundo.

Enquanto Minas desfrutava e participava do poder central apoiada no seu governo, favorecida por uma ampla autonomia e estabilidade, prerrogativas estas em equilíbrio com o seu secular regionalismo, São Paulo era submetido, com a presença, no seu solo, de um governo ligado imediatamente e visceralmente aos caprichos e flutuações da ditadura nacional que, nos primeiros tempos, ao menos, como é do conhecimento geral, sempre tratou, com excessivo e vexatório rigor, não só os “corcomidos”, mas até os aliancistas paulistas que, neste particular, foram igualados aos dos demais Estados.

Este comportamento dessemelhante, por parte da ditadura, que, de início, pareceu agressivamente oposto ao futuro ao futuro e à grandeza do poderoso Estado bandeirante, ao inverso do esperado, constitui um estímulo para o advento de um novo surto democrático altamente benéfico ao destino dos paulistanos.

Foi de tal emergência que resultaram em sentido imprevisto, em favor de São Paulo e em desfavor de Minas, efeitos por demais surpreendentes. Dentre estes,

um dos principais foi, exatamente, o revigoramento do antigo sistema político das Alterosas e da extirpação oposta, do patriarcalismo, que até ali tornara, também, anti-republicano e puramente familiar o governo paulista.

Até a deflagração de Revolução de 1930, a política e o governo de São Paulo, como o de Minas, apoiavam-se, apenas, numa urdidura de poderosas famílias tradicionais, detentoras seculares das terras e, conseqüentemente, de todas as riquezas rurais. Após este relevante episódio, a situação constrangedora em que a revolução colocou tão representativas instâncias do Poder Político do Estado, levou as principais figuras ligadas às mais importantes famílias a um quase absoluto retraimento. Com o advento da ampliação do seu parque industrial a limites imprevistos, transformou-se a terra de Piratininga não só no maior parque de trabalho manufatureiro deste hemisfério, como na operante democracia em que se converteu o seu antigo patriarcalismo político.

Enquanto isto, Minas, imodificada na sua antiga estrutura, que tinha como cânone uma política eminentemente doméstica, permaneceu estática, envolvida no afã de reconquistar os seus antigos domínios.

Pequena Biografia de Raymundo de Monte Arraes

Monte Arraes era escritor, advogado, Jornalista, Humanista, constitucionalista, membro da Academia Cearense de Letras e político tendo cumprido vários mandatos como deputado.

Foi patrono da cadeira de F. Alves de Andrade da Academia Cearense de Retórica e o escritor assim definiu O advogado Monte Arraes num discurso na mesma academia:

“Raymundo de Monte Arraes,Jornalista, advogado, parlamentar, político, escritor e como tal sociólogo, jurista e constitucionalista de alta penetração analítica foi um denodado lutador da cultura nacional e regional, um pensador erudito e genuíno escritor. Atualmente o nosso melhor historiador vivo Raimundo Girão, registrando-lhe o perfil como 1º ocupante da cadeira, cujo Patrono é Tomás Pompeu de Souza Brasil na Academia Cearense de Letras, certifica que Monte Arraes foi de grande operosidade intelectual e extraordinária sua cultura jurídica e sociológica”.

Livros e Trabalhos realizados

Durante sua vida Monte Arraes publicou 20 livros além de inúmeros trabalhos parlamentares e mais dois livros concluídos e no prelo. Sem contar seus incontáveis textos e artigos  como jornalista . 

1-Ação e Força nova turbativa

2-O hábeas-corpus e autonomia Municipal

3- O Rio Grande do Sul e suas instituições governamentais

4-Do poder do estado dos órgãos governativos

5-Terra Redimida

6-O Nordeste visto sob o prisma de sua realidade

7- O Estado Novo e sua diretrizes

8- O Brasil e os Regimes Ocidentais

9- Cidadão de dois mundos- Ruy Barbosa numa síntese interpretativa

10- Idéias e Sentimentos de Viriato Vargas

11- O Espírito Inventivo e as Tendências Imitativas do Povo Brasileiro

12-Alexandre Arraes- Cidadão Exemplar

13- O sentido Jurídico da rádio-difusão

14- Fronteiras Guaranis

15-O Estado e a Liberdade de Pensamento

16- José de Alencar- Sua vida Gloriosa

17- José de Alencar e o Romance Brasileiro

18-Ante-projeto de Lei sobre Teatro e Esportes

19- A Liberdade de Pensamento em face do Poder de Censura

20-Decadência e Redenção do Nordeste- A Política dos grandes estados

No prelo por ocasião de sua morte

Padre Cícero Romão Batista (Estava no prelo por ocasião de sua morte

Antologia (Estava no prelo por ocasião de sua morte)

Onze (11) Estudos e trabalhos Parlamentares

Quatro trabalhos em foi correlator na comissões da Câmara Federal.

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