Érico Veríssimo (1905-1975)

Por Vânia Moreira Diniz

            Nasceu em Cruz Alta, Rio Grande do Sul em 1905. Um desastre financeiro em sua família, obrigou-o a trabalhar num banco e depois tornou-se sócio de uma farmácia.

Homem de hábitos provincianos, era um trabalhador metódico. Nas horas vagas gostava muito de admirar a fina ironia de Machado de Assis, Jonathan Swift e Bernard Shaw.

          Mudou-se em 1930 para Porto Alegre onde seguiu e foi auxiliado pelo grande Augusto Meyer, representante do Modernismo Gaúcho que lhe abre as portas no jornalismo Literário. No ano de 1932 ele lança uma coletânea de contos intitulada “Fantoches na Revista do Globo. Daí por diante ele construiu sua vasta obra cujo centro era o o mundo rural e Urbano do Rio Grande do Sul. Seus últimos livros giram em torno da Política Internacional

          Sem dúvida o autor gaúcho junto com Jorje Amado foram criadores  no Brasil da figura importante do escritor Profissional. Graças a eles existem hoje muitos escritores que vivem  do seu trabalho literário.

        É rico Veríssimo conta em uma entrevista famosa pouco antes de sua morte, que o primeiro conto foi escrito atrás do balcão de farmácia, quando ainda trabalhava lá. E relata que na escola fazia”primorosas” redações grau 10.

         Morou nos Estados Unidos e lecionou Literatura Brasileira na Universidade da Califórnia (Berkeley). Isso aconteceu entre 1941 e 1943 e escreveu um livro sobre as impressões da viagem: “A Volta do Gato preto”.

          Traduzido para o inglês, francês, italiano, espanhol, russo, sueco e norueguês , Érico era um homem de hábitos simples embora apreciasse- música, livros, quadros, viagens. Era coerente com suas idéias. Recusou-se a concorrer à Academia Brasileira de Letras e recusou taxativamente o Título de Doutor “honoris-causa” pela Universidade do Rio Grande do sul.

           Seu primeiro romance Clarissa foi escrito  conforme o próprio autor  em “quinze tardes de sábado e uma boa dúzia de domingos, feriados e dias santos”. E nessa época era Secretário Editorial da “Revista do Globo”, redator de uma página Feminina para o “Correio do Povo” e Tradutor à noite de romances policiais para Editora Globo.

            Foi inflexível na luta contra as ditaduras que transtornaram o país e se posicionava contra a direita ou esquerda defendendo os Princípios Democráticos.

            Sua popularidade e notoriedade cresceram até o dia de sua morte.


                                                           Obras:

        Clarissa foi seu primeiro romance e se inspirou para fazê-lo, numa normalista  atravessando a Praça da Matriz. Por aí descreve a vida de uma adolescente de dezesseis anos  com seus anseios sonhos e descobertas. Foi lançado em uma coleção de bolso em 1933 e passou quase despercebido.

     Quando publicou “Olhai os Lírios do Campo”, “Clarissa” saiu da obscuridade. O livro “Olhai os lírios do Campo” fez um sucesso muito  grande embora pelos críticos não tenha sido muito bem aceito. Sua vendagem foi algo extraordinário. E depois transformado em filme por uma companhia Argentina. É a história de um homem  com enormes conflitos,

que se forma em medicina e gosta muito de uma colega, Olívia mas vem a casar-se com uma mulher rica que lhe aguça a ambição. Mas nas situações dolorosas  de sua vida Olívia é seu porto seguro. Essa mulher, forte, poderosa em seus sentimentos,intensamente humana, gentil, terna e equilibrada morre deixando o o homem amado atormentado. É uma história de amor.

Érico Veríssimo ainda escreve “O Continente!, O Retrato que também foi transformado num filme , com pessoal de São Paulo, “O tempo e O Vento”, “Um Lugar ao Sol”, Música ao longe”, “Caminhos Cruzados”,”O Prisioneiro” “Acidente em Antares”, “Sr Embaixador”.

       Esse homem tinha um poder imenso com seu dom de transmissão.

        Dizia “ Sou contra a guerra, contra o racismo, contra a aceitação fácil dos motivos dos chamados mestres em geopolítica estratégica e logística” .

      E num dos seus discursos diz com convicção:

      “Nenhum artista,, nenhum escritor podem produzir e criar plenamente se não tiverem a mais ampla liberdade de impressão.. É impossível para um romancista estudar um personagem sem tocar em sua vida sexual. E como pode um escritor trabalhar, dar o melhor de si, se sabe que tem sobre ele o olhar implacável e truculento do Grande Irmão, como o profeta de George Orwell no seu 1984?”

     E  completa:

     “Não sou dos que pedem para os escritores essa liberdade que é sinônimo de licenciosidade. Estamos dispostos-e é nosso dever- pagar por essa liberdade com a moeda da responsabilidade”.

E gostava de dizer de maneiras diferentes.: “Eu me amo, não me admiro”

   Perguntado em certa ocasião se falava como um de seus personagens respondeu com convicção:

   “Não. Falo como Érico Veríssimo , de Cruz Alta.Um simples contador de histórias. contra toda espécie de coação. Venha de onde vier.”

     Era  assim a personalidade do homem que talvez tenha sido o maior escritor brasileiro.

Não se absorveu com a popularidade, ela não subiu à sua cabeça e apesar de ser um homem simples, apreciava os prazeres da vida mas colocando sempre” sua gente em primeiro plano.

Clarissa,1933
Caminhos Cruzados, 1935
Música ao Longe, 1935
 Um Lugar ao Sol, 1936
 Olhai os Lírios do Campo, 1938
Saga, 1940
O Resto É Silêncio, 1942
 Noite, 1954


Romances Políticos
-
O Senhor Embaixador, 1965
 O Prisioneiro, 1967
 Incidente em Antares, 1971

Contos

Fantoches, 1932
As Mãos de Meu Filho, 1942
O Ataque, 1959
 Galeria Fosca, 1987

O Tempo e o Vento

 O Tempo e o Vento
 O Continente, 1949
 O Retrato, 1951
 O Arquipélago, 1961\2

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