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Jorge
Amado (1912-2001)
Por Vãnia Moreira Diniz
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Vida e Obra
Jorge Amado nasceu em 1912 em
Ferrada, que é atualmente município de Itabuna na Bahia. Se pai era
comerciante, natural do estado de Sergipe e produtor de cacau.O escritor baiano
tornou-se um dos maiores escritores brasileiros e seus livros repercutiram no
Brasil inteiro e em muitos países de todo o mundo. Seu primeiro romance, “O
País do Carnaval” foi escrito quando ele tinha apenas 19 anos.
Em 1920 pertenceu a Plêiade de jornalistas boêmios de Salvador fazendo
parte da “Academia dos Rebeldes”, manifestou-se contra o modernismo, e no
ano de 1930 partiu para o rio de Janeiro para estudar direito, integrando vários
movimentos, e participou com seus artigos em muitos jornais.
Passou a ser conhecido com os romances “Cacau” e “Suor”. Pouco
depois faz parte do movimento esquerdista levado pela Escritora Rachel de
Queiroz e chegou a ser preso, exilando-se em Buenos Aires. Lá não deixou de
escrever. Mais tarde, em 1946 foi eleito deputado federal pelo também Partido
Comunista e fez parte da Constituinte. Morou na França por vários anos.
Fez uma oposição cerrada ao Estado Novo e depois da cassação de seu
mandato, viajou para a Europa e Ásia. Foi um dos únicos escritores brasileiros
que conseguiu manter-se somente com
a literatura depois da publicação
de alguns romances e por volta de 1958 dedicou-se exclusivamente a ela.
Foi eleito em 1961 para a
Academia Brasileira de Letras onde ocupava a cadeira nº 23. Foi casado
com a escritora Zélia Gattai em um segundo casamento. Essa ligação apaixonada
durou de forma intensa até o dia da sua morte. Zélia Gattai, no início era
conhecida apenas por ser a mulher do escritor Jorge Amado, depois já aos 65
anos começa a escrever e fica conhecida também como escritora. Chega a fazer
um livro de memórias da vida do marido e da família toda contando experiências
interessantíssimas sobre a vida dos dois em que enfoca acontecimentos, fatos,
premiações e o dia a dia do casal. TENDÊNCIAS LITERÁRIAS
Jorge Amado retrata em primeira análise em seus livros a Bahia.
Observador pertinaz dos costumes e tendências da região sabe analisá-los com
vigor e acuidade. Retrata
tudo que se passa em volta da opressão e sofrimento do trabalhador
das zonas cacaueiras e também das cidades, e sabe transmiti-la de forma
lírica e ao mesmo tempo romântica e real.
Faz um retrato do povo e nele inclui a mulher baiana de uma forma
absorvente, descrevendo seus sofrimentos, encantos e atrações. Com todo o seu
apego e amor ao nordeste, especialmente à Bahia consegue transmitir com
encanto, porém, imparcialmente o retrato daquela região fazendo com que o povo
brasileiro e até leitores no exterior conhecessem mais profundamente sua amada
terra.
Dizem amigos de Jorge Amado, que nas fases de sua vida que seus livros
estavam em elaboração, ele se transfigurava. Normalmente tranqüilo e mais
calado, quando trabalha seus personagens, o escritor ficava fluente nas
conversas que mantinha com seus amigos. Ainda assim preferia se isolar e
escrevia muito numa casa que mantinha no exterior. Para lá ia com Zélia e a
mulher costumava digitar o que ele ia escrevendo. Não gostava de computador e
produzia mais numa máquina de escrever elétrica.
Seus romances fizeram tanto sucesso que alguns deles foram passados pela
televisão e cinema, naturalmente adaptados com o consentimento do
fantástico escritor. Os romances mais populares e conhecidos através da
mídia foram:
Gabriela, Cravo e Canela escrito em 1958 e retratado em Ilhéus teve um
estrondoso sucesso, com suas figuras fortes e fascinantes e Gabriela encerra o
jeito doce e sensual da mulher baiana. Ao mesmo tempo descreve o coronel do
interior cuja figura estava sendo ameaçada pelo político mais moderno.
Descreve com perícia inigualável a luta entre um coronel e um
exportador de café. E também a paixão entre o turco Nagib e Gabriela: Dois
lados diversificados do romance e ambos muito importantes.
Dona Flor e seus dois Maridos- Um romance excepcionalmente atraente onde
se misturam a sensualidade e honestidade de Dona Flor e a figura interessante,
sem princípios rígidos, mas sedutora de Vadinho
que morre fulminado por um ataque do coração num dia de folia de
carnaval. Casando-se de novamente fica dividida entre a sensatez exagerada do
segundo marido, porém com Vadinho sempre colorindo sua imaginação de
pensamentos lúdicos, que o transformam numa figura sempre fantasiosamente
presente.
Tieta do Agreste também foi adaptado para televisão e cinema e revela a
vida de uma mulher que congrega numa só personalidade fortaleza, coragem e
liberdade inesperada para a época. Ela sai de casa muito cedo e enriquece na
capital explorando seu próprio corpo e de outras moças, mas ajuda ao pai que a
expulsou e retorna rica e com bom relacionamento. O romance se desenvolve rico
de imagens, vida e histórias interessantes.
Assim seus livros têm sempre um trajeto especial em que a alma humana é
desnudada em variadas e envolventes facetas. Jorge Amado pode ser considerado um
grande conhecedor da alma humana, principalmente numa região em que a riqueza
é grande em contraposição com sofrimentos e opressões. Amado e admirado em
todo o Brasil e também no exterior onde seus livros foram traduzidos,
especialmente entre os baianos porque foi um ilustre conterrâneo, suas
principais características foram a inteligência, talento carisma e inegável
pode de análise humanitária e saudável. Obras
1 – O País do Carnaval - 1931 2 – Cacau-1933 3 – Suor- 1934 4 – Jubiabá- 1935 5 – Mar Morto-1936 6 – Capitães de Areia-1937 7 - ABC de Castro Alves-1941 8 – Terras do Sem Fim-1943 9 – O Cavaleiro da Esperança-1942 10 – São Jorge de Ilhéus-1944 11 – Bahia de todos os santos-1945 12 – O amor do soldado -1947 13 – Seara Vermelha-1946 14 – Os Subterrâneos da Liberdade (Os ásperos tempos, Agonia da noite e A Luz do Túnel) -1954 15 – Gabriela Cravo e Canela-1958 16 – A Morte e a Morte de Quincas Berro D’água -1961 17 – Os Velhos marinheiros -1961 18 – Os Pastores da Noite-1964 19- Dona Flor e seus dois maridos-1966 20 – Tenda dos Milagres-1970 21 – Tereza Batista Cansada de Guerra -1972 22 – O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá -1976 23 – Tieta do Agreste -1977 24 - Farda, Fardão e Camisola de Dormir -1979 25 – As Mortes e o Triunfo de Rosalina - 26 – Estrada do Mar -1938 27 – Philadelpho- 28 – De como Mulato Porciúnculo Descarregou seu Defunto 29 – O Mundo da Paz 30 – O Menino Grapiúna -1982 31 – A Bola e o Goleiro 32 – Tocaia Grande -1984 33 – Senhor 34 – Berro D’ água-1961 35 – O Solar dos Azulejos - 36 - O Sumiço da Santa-1988 37 – A Apostasia Universal de Água Brusca Bibliografia Larrousse Cultural |