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José
de Alencar
(1829-1877)
Por Vãnia Moreira Diniz
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Vida
Em Mecejana, no Ceará em 1º de maio de 1829, nascia um dos maiores
escritores brasileiros: José de Alencar. Ainda menino, junto com sua família
realiza uma longa jornada pelo sertão. Dias fatigantes para uma criança.
Enfrentando o sol causticante durante o dia e admirando o luar prateado à
noite. Descansavam nos ranchos com
fogueiras acesas para espantar animais, e o canto triste dos sertanejos embalava
o garotinho, que dormia tendo como cenário um mundo diferente e encantado.
Para um menino de dez anos, realmente tudo é muito fantasioso,
atravessando o sertão, com a paisagem de rios, vales, árvores, colinas e, planícies
num desfilar da natureza inteira. Uma criança fantasiosa vibra com o desfilar
de cada dia diferente, apresentando novas e desconhecidas atrações. E muitas
vezes mais tarde, descreve em seus romances a natureza eletrizante que recordava
desses dias de sua infância.
Foram morar num velho casarão da corte e Alencar gostava muito de ler
novelas de folhetim e a família se reúne para os serões familiares, em torno
de um lampião e ouvindo as aventuras de do “Saint-Clair das Ilhas”.
Assim foi a infância do futuro escritor, nos meados do século XIX, no
império do romantismo. Freqüentou
o Colégio do Professor Januário Mateus Ferreira, que lhe deixou suaves recordações.
Pouco tempo depois, vai para São Paulo, levando o gosto especial por novelas
que lia absorventemente.
A vida em São Paulo naquela época era provinciana, e o traço de
urbanismo se dava em torno da Academia de Direito. Quem chegava da corte onde
havia mais amplidão, sol, vida ao ar livre estranhava o ar cinza da capital
paulista. Mas foi ali um campo propício ao desenvolvimento da corrente romântica,
logo tão profundamente disseminada.
Os estudantes faziam serenatas, saraus em noitadas nas quais os burgueses
se distanciavam. Quando Alencar chegou em São Paulo o byronianos lideravam. José
de Alencar ainda muito jovem, adolescente mesmo, mantinha-se longe desses
movimentos acadêmicos principalmente porque sentia ainda muita falta do
aconchego da família.
E no seu modo surpreendentemente detalhista e rico costumava dizer que
“As palestras à mesa do chá; as noites de cinismo conversadas até o
romper Dalva entre a fumaça dos
cigarros;as anedotas e aventuras da vida acadêmica sempre repetidas; as poesias
clássicas da literatura paulistana e as cantigas tradicionais do povo
estudante; tudo isso sugava meu espírito adolescente, como a tenra planta que
absorve a linfa, para mais tarde desabrochar a talvez pálida florinha”. Mesmo
assim, tempos mais tarde ele diz que a página acadêmica é “rica de reminiscências”.
Formou-se em Direito em 1850 e voltou ao Rio, começando sua carreira de
advocacia e escrevendo no “Jornal do Comércio”. Depois que escreveu
“Cartas sobre a Confederação dos Tamoios”, teve enorme influência e projeção
no meio literário.
Foi além de advogado, jornalista, romancista, professor, orador, crítico,
deputado em vários mandatos legislativos e Ministro da justiça. Na Academia
Brasileira de Letras ocupou a cadeira número 28. Morreu
a 12 de dezembro de 1877, de uma tuberculose pulmonar, mas também profundamente
desiludido com a política. Obra Apesar de ser um extraordinário escritor, de vocabulário rico e descrições
maravilhosas, o famoso cearense não escapou das críticas. José
de Alencar “introduziu o indianismo na prosa, o que já fizera Gonçalves Dias
na poesia. De admirável poder descritivo, soube retratar a nossa natureza com
cores maravilhosas. Seu estilo é retórico e brilhante, porém, descuidado na
gramática, com que, ao lado de palavras do tupi-guarani, procurou criar a língua
brasileira. Bateu-se também pela autonomia da nossa literatura.” O romance
Guarani traz um personagem real: D. Antônio de Mariz. Seu
primeiro Romance foi “Cinco Minutos”, publicado anonimamente em folhetins do
Diário do Rio de Janeiro e escrito rapidamente para atender a demanda da época
que eram histórias sentimentais.O romance “A viuvinha” também publicado no
jornal em capítulos, é considerado aquém do admirável talento do escritor.
Nesses e principalmente na “Pata da Gazela”, “Sonhos
D’Ouro”.”Diva”, “Lucíola”, “Senhora”, o romancista descreveu e
marcou tipos especiais, e também procedimentos da corte no século passado. Entre os romances Indianistas estão: “O Guarani”, “Iracema”, em que Alencar expressa conhecimento da terra, dos costumes e como em toda a sua obra exerce sua intimidade com a história genuína do Brasil.
Nos romances históricos ”Minas de Prata”, “Guerra dos
Mascates”,”Alfarrábios” ele vai firmando o poder de sua extraordinária
cultura e vivência com os costumes do país enquanto escreve com admirável
talento natural. E continua com os romances regionais tais como: ”O Gaúcho”
e “O Sertanejo”. “Til” e “Tronco do Ipê” vão para o ramo dos
sociais, fascinantes na história com diálogos não intensos como era de sua
linha.
José de Alencar tinha um dom incontestável. Seu vocabulário era rico,
exótico e seus romances em certas descrições mais parecem poemas.Há em seus
períodos ritmo e música sem falar do conteúdo riquíssimo.
Mesmo absorvido pela carreira política, a importância de sua dedicação
à vida de escritor foi fascinantemente relevante na vida literária do país.
Portador de uma inteligência brilhante e acima dos padrões normais, com
um conhecimento profundo de costumes nunca deixava de seguir sua inclinação
romântica. Isso ele carregava desde criança ainda influenciado pelos
movimentos da época em que estudava. Mas na verdade, sua vida infantil em
contato com a natureza e com os costumes agrestes deu-lhe uma força imensa nas
descrições sobre toda a natureza que ele amava profundamente.
José de Alencar foi um dos maiores escritores do Brasil, literalmente
vibrante e talentoso demonstrado em seus trabalhos literários e de grande valor
pela história de sua vida política.
Obras
completas de José de Alencar TEATRO CRÔNICA AUTOBIOGRAFIA
INTELECTUAL CRÍTICA E
POLÊMICA Bibliografia http://www.culturabrasil.pro.br/josedealencar.htm Internet-Infoletras Brito Broca José Olympio 3ª Edição |