Poemas

Antenor Ferreira Júnior

Minha Gente

Essa minha gente que pena.
Dos olhos secos de mágoa.
Gente de vida pequena.
Esperanças que já vão embora.
Que num tempo pouco se apaga.
Gente que quando chora.
São lágrimas secas, sem água.

 

Gente, retratos da fome.
Dos filhos extintos na dor.
Gente nascendo sem nome.
Crianças morrendo sem amor.
São pais enterrando seus  filhos.
Se esquecendo do nada que tem.
Caminham buscando vida
Para não ter que morrer também.

 

Pequenos morrendo.
Doença!
Soterrados pela falta de tudo.
Sem sonhos, sem fé e sem  crenças.
Perecem calados, falecem mudos.

 

Inocentes infantes desprovidos.
Pelo descaso dos grandes barões.
Choram seus olhos  ao ver perdidos.
Tanta comida se acabando em galpões.

 

E segue o extermínio evidente
Um tanto pouco pela fome,.
Outro tanto muito pela peste.
Famílias de gente inocente.
Derretendo sob o sol incandescente.
Desse nosso desolado nordeste.

 

Sem questão, aprazam  a morte.
E ela vem cobri-los com seu véu.
Pois aqui foram  gente sem sorte.
Mas certamente Deus Pai, neste dia.
Irá acolhe-los em Seu colo.
Num cantinho sereno do céu.

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