
Menino
de rua
André Prado
A
burguesia nobre
Esquece dos garotos pobres
Deitado na calçada
Criança mal amada
Olhos
bem fundos
Sonhos profundos
Ao relento pertence
Quando fica doente
Dorme
ao frio
Toma banho no rio
Implora clemência
Recebe dormência
Dele
ninguém quer saber
E nem vê-lo crescer
Sem pais sempre viveu
Desde o dia em que nasceu
Meninos
de rua
A verdade nua e crua
São apenas lembrados
Em campanhas eleitorais
Quando
se revoltam
E com fome alguém roubam!
Pessoas alegam impunidade
Combatendo-os com crueldade
Onde
estão os omissos psicólogos?
Também vejo alguns falsos sociólogos!
Constroem um país sem identidade
Dilacerando toda a humanidade
Onde
estão os políticos?
Para cuidar dos aflitos
Com impostos rotineiros
Roubam muito dinheiro
Agora
observo triste flagelo
Não enxergo nada belo
Vejo meninos caquéticos
Algo nada estético
Caminho
pelas noites de inverno
Não encontro ninguém fraterno
Sempre a olhar a lua
Encontro mais um menino de rua
Onde
está a sociedade?
Que alega fazer caridade
Seus corações enrijecidos
Esquecem dos excluídos
Onde
estão os cristãos?
Que da igreja não saem!
Estes meninos são nossos irmãos!
Por que ao vê-los se retraem?