
A
fome e sua irmã.....
Adriana
Zapparoli
Olhando
a chuva que cai , deitada em um canto,
no duro chão,
acometida
por grande tristeza e um frio sem igual,
ainda que proteja o meu corpo, forrando o chão com papelão
e me cubra com plástico e jornal.
Há
tempos me acompanha e a vejo, entre nós bem ali, aqui....
dona
de olhos frios, gaudéricos, imundos e escuros.
Todas às noites quando me deito
para dormir,
aproveita e corre em volta de mim...., em cima dos muros.....
Percebo-te,
cada vez mais próxima e você, me sorri,
sinto
então uma tristeza a me solapar,
assim, faço que não lhe percebi,
mas você insiste, em se arrazoar.
Desta
vez, você veio para ficar.
conheço-
te bem e também, o seu estranho nome,
todavia,
você teima em se apresentar,
com
uma voz de trovão, pega em minha mão...
disfarça com um jogo de sedução: - meu nome é Fome.
Em
minha cabeça, tonturas, pensamentos, uma grande confusão,
pois
é grande sua modorra, que insiste em me agadanhar,
começo a sentir o acelerar, do meu coração,
porém é a Fome, muito solerte que
começa a falar:.....
-
Agora deixarei você em paz,... você verá
meu final,
como
não consegue me satisfazer ou até me
saciar,
apresento-lhe minha irmã a Morte,
de uma beleza sem igual.....
aqui
ela está, para te levar e desta forma a mim....
aniquilar.