Seca Indigna...
Vânia Moreira Diniz

Nunca vi a seca de perto.
Mas olhando e acompanhando
Meu coração se entristece,
Ao ver tantas pessoas humanas,
Sofrendo e passando fome.

Não podia existir isso,
A natureza é sábia e mestra,
Crianças sofrem em desespero,
Os pais de aflição e dor.

Por que a seca? Por que?
Seria a devastação da natureza?
Ou  o apoio e humanidade
Estão ausentes atualmente?

Vemos amargurados, a secura dominar
E nos sentimos impotentes
Diante de quadro tão devastador,
Desse povo que já nasceu sofredor.

Os pequenos , a magreza dominando,
Ossos aparecendo salientes,
Adultos agoniados e descrentes
Rezam a Deus na  angústia extrema.

Alguma coisa é  preciso fazer,
Não podemos, inertes e cépticos,
Assistir ao espetáculo público,
De degradação e miséria humanas.

Não nos conformemos, pois
Peçamos que a piedade tome conta
Das autoridades competentes,
E possamos dar um grito de alerta!
Não! Seca, não!


Olhando ao meu redor
Vânia Moreira Diniz

Olho ao meu redor o mundo,
Entendo na sua extensão o desespero,
De tantas pessoas a pedirem auxílio,
Num frenético e desesperado soluço.

Eu estou aqui e consigo enxergá-los,
Vejo o sofrimento da impotência,
Negar ao filho o alimento inexistente,
Quando apenas balbucia indefeso.

 O conforto não é necessário,
Clamo por subsistência e esperança,
Direitos humanos que lhe defendam,
Dessa dor insuportável e desumana.

 Vejo no céu o azul tão cristalino,
Procuro entender a sua infinita dimensão,
E em meus clamores ao Senhor imploro,
A misericórdia que já tarda.

 Na dor crescente e amarga de todo dia,
Enquanto o mundo lá fora olha indiferente,
Existe tão perto sofrimento e fome,
Que podemos estender a mão para saciá-la.

 Procuro não com lágrimas compreender,
Mas buscar um alívio apaziguante,
E se chamarem a isso de utopia,
Quero viver praticando essa ilusão.

09-04-2001


Miséria
Vânia Moreira Diniz - 15-03-2001

Na madrugada fria e silenciosa,
Viajo em meu pensamento,
Entrevejo irmão com fome e frio,
A dureza dos dias sem perspectiva,
A tristeza de não saber o que ofertar,
A pequenino agitado pedindo comida.

 

Na madrugada fria eu me encolho,
Visualizando a dor do isolamento,
Do irmão tão longe e sofrendo,
Nem um afago, não conhece carinho,
o vento como açoite carregando,
A vida que ninguém sabe o que é.

 

Na madrugada longa eu visualizo,
Os bebês tão frágeis e pequeninos,
Os olhos que ainda nem se abriram,
A covardia de enfrentar sofrimentos,
Respiração entrecortada e difícil,
E a fome a lhe contrair os músculos.

 

Na madrugada o pensamento e emoção,
Juntos como a pedir misericórdia,
Pela miséria tão profunda e próxima,
De quem nem socorro conhece,
E o mundo se debatendo sem concórdia
A contemplar indiferente o espetáculo
Da morte pelo mais vil motivo.

 

Na madrugada eu nada enxergo,
Na dor eu devagar me transporto,
O aconchego parece uma blasfêmia,
E me encolho com esquisito Pânico
A refletir na dolorosa fome e frio,
De nossos irmãos companheiros
De estrada.

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