Lançamento do Livro
Pavios Curtos de José Aloise Bahia

Local: Quixote Livraria e Café

Endereço: Rua Fernandes
Tourinho, 274, Savassi, Belo
Horizonte, MG, Brasil

Dia: 17 de março de 2005
(quinta-feira)

Horário: a partir das 19h

Livro: 15 X 21 cm, 100 páginas,
R$ 20,00

Editora: anomelivros, bhz, mg

às imagens esquecidas da memória, que clamam para ser lembradas

pavios curtos – insights poéticos,
concretos, imagens e variantes

Do Posfácio de Fabrício Marques* :

“IMAGEM CONTRA IMAGEM. É disso que se trata: no mundo contemporâneo, tudo e todos são devorados pelas imagens, vorazes, cínicas, onipotentes e ilimitadas. Com o avanço tecnológico, cada vez mais elas nos invadem, nós que estávamos quietos em nosso canto.
E fechamos os olhos e reinventamos a (nossa) vida, em uma cidade pequena. Depois que o mundo chega ao fim, essa é uma boa imagem para começar de novo: um circo, o picadeiro, e crianças como platéia, descobrindo a dança das letras no caminho da pólvora.
Não se trata de nostalgia: é antes a evocação de uma ética das imagens. Como escreveu Nelson Brissac Peixoto, uma ética que dá tempo e lugar para as pessoas e as coisas.
Contra o ataque de qualquer veneno disponível no campo do olhar, um tempo para apreciar o rumor das imagens, como uma multidão de anjos e prostitutas no céu de Apollinaire, ou o som de rodas na curva dos trilhos, ou a fantasia da cor de Chagall.
De Drummond toma-se emprestado o jardim botânico habitado por ipês, risadas e a rosa do povo, nua; roubam-se de evidências do impossível no labirinto branco da tela de Iberê Camargo.
Paramos pra perceber uma Havanola nas ruas de Cuba; reparamos num conselho pregado no díptico: - ´se podes olhar, vê. Se podes ver, repara’. Imagens em meio a imagens distorcidas, vistas por olhos míopes...
Em 1949, Rubem Braga escreveu uma bela crônica em que dizia: ´Fala-se muito em mistério poético e não faltam poetas modernos que procuram esse mistério, enunciando coisas obscuras, o que dá margem a muito equívoco e muita bobagem. Se na verdade existe muita poesia e muita carga de emoção em certos versos sem um sentido claro, isso não quer dizer que, turvando um pouco as águas, elas fiquem mais profundas...´.
Contudo, não se trata de procurar esse mistério, envolto em asas pela metade em azul cobalto.
É que não vemos mais as imagens. São elas que nos olham, desconfiadas, prontas para o bote. E, ao mesmo tempo, a memória morreu.
Resta plantar uma nova memória e, a partir daí, colher as imagens que clamam para ser lembradas. Pavios Curtos.
Fabrício Marques, Outubro de 2004.”
* Fabrício Marques é jornalista, professor, poeta, Doutor em Literatura Comparada
pela UFMG e editor do Suplemento Literário de Minas Gerais.

Da Contracapa de Pavios Curtos:

“...várias vozes se movimentam em minha
travessia reflexiva. Com elas, as palavras, e
aquilo que Borges chama de possibilidade de
tecê-las em poesia. Eis a polissemia da vida em
seu domínio e redenção: a liberdade de
criação que detona dentro da gente a
procura de uma metáfora verdadeira de nós
mesmos, um mistério infinito. A poesia é uma
alternativa para a inquietude do homem
contemporâneo, repleto de pavios curtos,
inconcretudes, dilacerações, contaminações,
perplexidades, e algumas transcendências,
regidas pela memória incessante, sentimentos,
convivências, cores, sinestesias, leituras,
imagens mutifacetadas, circulares e variantes...“
trecho do diário do autor


Da Biografia do Autor:

José Aloise Bahia nasceu em Bambuí, Minas Gerais. Reside em Belo Horizonte. Tem ensaios, artigos, crônicas, resenhas e poemas publicados em diversos jornais, revistas e internete. Pesquisador no campo da comunicação social e interfaces com a literatura, política, estética, imagem e cultura de massa. Estudioso em História das Artes e colecionador de artes plásticas. Sócio fundador da ALIPOL (Associação Internacional de Literatura de Língua Portuguesa e Outras Linguagens). Graduado em comunicação social e pós-graduado em jornalismo contemporâneo.

De Alguns Poemas de Pavios Curtos:

sigo o caminho da pólvora/explosiva/
rastilho branco/toda cidade (pavios/trecho)

sigo o caminho da pólvora

explosiva
vibrante
naquela tarde de verão

rastilho branco
no Campinho Vermelho

toda cidade escuta
o estrondo: o canhão


sonetos num corpo dilacerado (curtos)

Pelas fagulhas cortantes do desejo, de tão quente, queimam o rosto. Bambeiam as pernas. Faz amolecer os braços. Dispara a circulação. Ofega o pulmão. Decepa tudo. O tronco subsiste devido à presença do suco gástrico recheado de 14 linhas apropriadas contra o ataque de qualquer veneno disponível no campo do olhar.




Florbela – sonetos num corpo dilacerado

HAVANOLA (concretos/trecho)


volúpias num mar de lama e grunhidos de porcos
o amor tem gosto de sangue e o cheiro de fezes


imagens (imagem/trecho)

“no espelho contemporâneo
deseja-se sempre mais
o que lhe é dado ver.
não vemos mais as imagens.
procura-se um olhar sobre
a maneira como o espelho nos olha.”


vermelho (variantes)

lançam um pouco de tinta azul no céu
sugam o sangue daqueles que desconhecem
e esbaldando em formas e imagens – assim são alguns
desumanos, pelos quatro cantos do país indiferentes às cores
tingem um quadro no céu, com pouco azul, verde, amarelo e branco
e sempre dançam em meio a uma tempestade impregnada de vermelho

De Mais informações:

josé aloise bahia – tels: (31) 9664-7202 e 3423-1510
e-mail: josealoise@aol.com
anomelivros – tel: (31) 9975-6627 - www.anomelivros.com.br
e-mail: anomelivros@anomelivros.com.br (wilmar silva)
quixote café e livraria - tel: (31) 3227-3077

josealoisebahia e wilmarsilva/bhz/mg/mar/2005

 

 

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