Clevane Pessoa de Araújo  Lopes

 "Beijo De Lua"

                             

20/11/2006 10h02

Edinéia Alves lança seu "Beijo de Lua-e outras miscíveis poesias"

Imagem:capa de Beijo de Lua, selo anomelivros.O livro é ilustrado,de forma belíssima.

Foi uma delicada experiência revisar e prefaciar "Beijo de Lua -e outras Miscíveis Poesias, de Ednéia Alves.

Seu estilo, coloquial, coloca o leitor in.É um livro de partilha e entrega.

Por e-mails e telefonemas, fizemos trocas e somas .

Agora, ela fala comigo ao telefone e diz que o lançamento será no dia 28 de novembro, no Terças Poéticas(jardins do Palácio das Artes ,aqui na capital mineira.Depois o lançará em Betim , onde reside.O e-mail:
"Clevane.
Aí está o convite. Beijo de Lua será apresentado dia 28 de novembro, às 18h30, no Palácio das Artes, dentro do Projeto Terças Poéticas. Depois, como não poderia deixar de ser, em Betim, dia 14 e dezembro no bar cultural Dona Rosa, em frente à Prefeitura.
Te espero, amiga.
Bjs, Edinéia"

Aqui, o prefácio.Em breve, publicarei alguma amostra grátis de sua poesia.No mais, é ir ao Palácio das Artes abraçá-la e comprar Beijo de Lua:

BEIJO DE LUA E OUTRAS MISCÍVEIS POESIAS

*Clevane Pessoa de Araújo Lopes

A dimensão poética de Edinéia Alves cumpre várias possibilidades de mensuração. Sensibilidade, altruísmo, auto-percepção genuína e sagaz, capacidade de colocar em versos o que lhe sussurra a prosa do self, mas, sobretudo, humildade e alegria.
Li seu primeiro livro, “Dos Olhos Ao Coração – onde se fia a poesia”, uma fieira de contos-cristais, intercalados por versos-pérolas, antes que fosse editado. Encantou-me pela naturalidade de sua expressão verbal, onde o cotidiano abre cortinados e deixa ver o invisível. Agora, recebo dela a incumbência de apresentar este novo livro. Sinto-me a parteira primitiva e a obstetra hodierna ao apresentá-lo à luz.
Não conhecia a Edinéia, até que nos reuníssemos a outros poetas, no Museu de Arte da Pampulha, para uma sessão de fotos, das quais seriam escolhidas as que nos apresentariam, no encarte do CD de Poesia OISE, selo Anomelivros, pelo qual este seu novo rebento, que se chama “Beijo de Lua e outras Miscíveis Poesias”,é editado.
De imediato, gostei da pessoa plenificada de energia, do largo sorriso e nos tornamos próximas, embora quase não nos vejamos (ela em Betim, eu em Belô), a não ser em saraus, quando ela chega acompanhada de um séquito de amigos.
Daquelas possibilidades que mencionei no primeiro parágrafo, é a humildade da autora que abre o livro:

“Não sei nada de mim / Sou mutante nos atos e no grito
O que desejo saber é muito / O que hei de ignorar é infinito”

Com essa “Abertura”, sua extraordinária capacidade de mutações, é mostrada na flexibilidade apontada no segundo verso (onde a razão dos atos mescla-se à impulsividade do grito, agônico, mas catártico).
No primeiro, essa singeleza se faz clamor e constatação da condição humana de todos que escrevem: ela sabe de si, mas informa: “Não sei nada de mim”. Essa, a maior lição filosófica, a mão à palmatória do “quanto mais sei, mais penso que não sei”. Ninguém é onipotente para informar–se com plenitude. Mas, nesse mar, o desejo emerge, o desejo de comunhão com tudo:
“O que desejo saber é muito”.
Apesar disso, confessa que sempre haverá o que saber. “O que hei de ignorar é infinito”.
Em que pese o meu desejo de conferir/comentar cada poesia, vou apenas fazer uma colheita de versos e oferecê-los, qual ramalhete diversificado, ao leitor. Isso, porque proíbo-me de roubar-lhe o prazer da descoberta.
Da disposição para ser, revela haver recebido o comando de um anjo, logo depois de acordar “assim, meio borboleta”: “Vai ser disposta pra vida”. Ela cumpre o mandato no último verso, “pronta pra sair de casa”( em “Feliz”).
A graça da poesia “Sua Primeira Poesia”, fala de sinais e de signos e a estrofe final é uma delícia de auto-percepção do eterno feminino espectante:

(...) “Sou mesmo assim. Ariana.
Curiosa, de alma lavada
E que espera um sinal, um toque,
Do dono de um outro signo,
Por quem estou apaixonada.”

“A Seis Mãos” é antológica, dessas poesias para mil anos, que lembra algum delicioso fazer poético de Cecília Meireles,ao falar de criancas preciosidade para ser colocada em coletânea escolar, decifrada em provas de português. Por isso, devo transcrevê-la na íntegra:

“A mãe disse: Não!
Mas, na verdade, a mãe disse mão.
A mãe de Simão?
Não.
Será que não de mãe é não?
Claro que não!
Não de mãe é mão
Cheia de razão!”

Leiam e repitam, para sentir a sutil espiral da consonância, levada à requintada parlenda.
A Poetisa chove imagens reveladoras e aqui uso o feminino de Poeta porque imprime Mistério ao feminino, em nada desmerece a mulher-que-escreve-poesia, deliciosa rima de sacerdotisa, “aquela que trans/forma as formas nas formas - do bolo ao poema” o que repito num poemeto.
Muitas coisas marcam seu olhar e se abrem em leque nos seus versos. Há um deus que joga capoeira, uma “estrela encantada” descoberta em um bolso, palavra tocada “ponto por ponto”, sonhos à venda...
Os versos contundentes de “Segredos”, fazendo o coração de quem lê pulsar em dorida percussão: “Encanta o que te falo / permaneço filha / uma ilha / com meu sentido figurado / com meu choro engolido”.
A poesia-título, que se empresta para nomear esse feixe de versos, explicita o encantamento lunar:

“Sabe o que é ganhar,
No meio da rua,
Um beijo de língua,
Um beijo de lua?
Isso você não sabe não”

Se o leitor não sabia ,será até ler/conhecer a poemática, no amplo sentido da Poiesis deste livro. Poesia não é disseminar incógnitas e códigos sem chave de solução, nem escrever palavras belas, mas vazias de conteúdo, quais jóias que em vitrina de vidro,a enfeitar o colo frio de um manequim estático. Poesia é para sentir. Qual a pérola que fenece se não for exposta.
“Beijo de Lua” é um livro para sentir. É pérola. É beijo inesquecível na alma enluarada.

*Clevane Pessoa de Araújo, psicóloga, escritora, ilustradora e, sobretudo, Poetisa, mas em qualquer ordem, sou.

 E-mail da autora, para contatos:

edineia.alves@terra.com.br

asasdeborboleta@yahoo.com.br
http://www.clevanepessoa.net/blog.php

 http://www.clevanepessoa.net/blog.php

O impossível

é imprevisível

só até acontecer

(Clevane Pessoa, em "Sombras feitas de Luz-Edit.Plurarts)

 

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