

Entrevista sobre Síndrome de
Down
Com a Psicóloga e Escritora Clevane Pessoa
(Comentário Inicial também de Clevane Pessoa)
Alunas da FUMEC aqui de Belo Horizonte,Mg,Brasil,fizeram um trabalho bem
interessante,com pesquisa de campo,sobre a Síndrome de Down(além de
psicóloga,tenho um mano caçula que é sindrômicamente lindo e trabalho com as
essas pessoais especialíssimas!).
Fui
entrevistada por Karina Araújo Campos:
Entrevista com Clevane Pessoa de Araújo Lopes
Disciplina: Metodologia de Pesquisa Científica II
Projeto de Pesquisa: “Qual a definição de amor para o adolescente com Síndrome
de Down?”
Alunas: Karina Araújo Campos, Mirian Ludimilla Barroso, Jandira Soares.
Entrevista com a Psicóloga Clínica Clevane Pessoa de Araújo Lopes – CRP:04/2539
Biografia:
Clevane Pessoa nasceu numa cidade do Rio Grande do Norte, São José de Mipibu. É
radicada em Minas Gerais desde a infância, embora tenha viajado muito pelos
brasis, acompanhando seus pais,Terezinha do Menino Jesus e Lourival Pessoa.
Concluiu na FUMEC-BH, o curso de Psicologia iniciado em Juiz de Fora(CES).
Pioneira no atendimento a adolescentes, teve seu projeto de Atenção Integral ao
Adolescente tornado ordem de serviço no antigo INAMPS (extinto), quando morava
no Maranhão. Implantou o serviço naquele Estado, depois no Pará, em Belém, onde
morou por três anos e depois de voltar a BH, em 1990, voltou várias vezes para
ministrar cursos de capacitação, a convite do Ministério da Saúde, do qual era
consultora em adolescência e da SESPA. No Rio de Janeiro, participou como
oficineira e revisora, em Metodologia. Participativa, no Projeto Vida, Saúde,
Alegria, uma parceria da Kellog e do Cecip, em projeto criado pelo desenhista
Claudius Ceccon e pela hebeatra Evelyn Eisestein.Gravou, 48 horas de vídeo. Os
subprodutos das oficinas foram manuais, vídeos e folders. Também pela Kellog,
desta feita com a ONG Emaús, em Belém do Pará, no projeto Educação e Saúde em
Comunidade, da hebeatra Maria da Conceição de Oliveira Costa realizou as
oficinas sobre liderança e protagonismo na Adolescência, para adolescentes e o
corpo docente da escola de Emaús.
Em Belo Horizonte, foi fundadora e coordenou a chamada “Casa da criança e do
adolescente”(SAISCA:Serviço de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente), no
HJK,de 1990 até sua aposentadoria, em 1997.
Coordenou, a pedido do Ministério da Saúde, Serviço deAdolescência,o I Seminário
de Sexualidade e Saúde Reprodutiva na Adolescência, nesse hospital. Atendeu,
extra muros, à FEBEM doBarreiro (educadores, em especial), onde estavam,
institucionalizados, crianças e adolescentes deficientes mentais. Na Escola
Estadual Amaro Neves Barreto, para Deficiências Múltiplas, treinou o corpo
docente em sexualidade do deficiente,o que fez em várias escolas para especiais,
como o Instituto Pestalozzi de BH, a APAE de Manhuaçu, entre outras.
È co-autora,nos capítulos Homossexualidade na Adolescência e Educação Sexual do
Adolescente,no compêndio “Adolescência, Aspectos Clínicos e Psicossociais, da
ARTEMED Editora(Porto Alegre-RS), organizado pelos Drs Maria da Conceição de
Oliveira Costa e Ronald Pagnocelli de Souza, hebeatras. Palestrista e
conferencista em congressos e seminários, tem trabalhos científicos editados no
Jornal de Pediatria, em co-autoria.
Entrevista:
Pergunta: Sabemos que uma das características do
portador da Síndrome de Down, além das características físicas, é um atraso no
desenvolvimento em vários aspectos da sua vida. Através da sua experiência com
este grupo, você diria que os adolescentes com Síndrome de Down poderiam se
encaixar na mesma faixa etária do grupo controle, que é considerada de 12 a 18
anos? Por que?
Resposta: As pessoas com Síndrome de Down
apresentam uma variedade muito ampla no seu desenvolvimento pubertário e
sexual.Isso quer dizer que a faixa diferencial entre as citas pessoas é maior
que entre os adolescentes não sindrômicos.Uma garota de dezoito anos, com a
Síndrome, pode apresentar puberdade resolvida, com todas as características
esperadas, mas não ter entrado ainda na adolescência, caracterizada pelos
aspectos emocionais e psicossociais de cunho praticamente universal, com certas
diferenças culturais ou raciais.Isto se deve principalmente ao Modus vivendi:muitas
famílias vêem o adolescente sindrômico como uma criancinha, não estimulando seu
desenvolvimento.O atraso intelectual também é outro fator,percebo que crianças
devidamente estimuladas socialmente, apaixonam-se, namoram,dentro dos limites de
suas capacidades emocionais.O jovem com Síndrome de Down é emotivo e por isso,
pode sofrer perdas amorosas com grande intensidade.Alguns, porém, mudam sempre a
direção de seus interesses, pois adoram receber atenção.Em muito casos,reagem a
cuidados e brincadeiras de pessoas não sindrômicas,com intensidade, sendo
faclimente levados à paixão, por isso, é absolutamente necessário que
estratégias familiares, diálogos ,aconteça, a fim de que se diluam suas mágoas e
estados depressivos causados por frustração amorosa. É importante também que
participem de esportes, dança, artesanato,para que se sintam felizes convivendo
grupalmente.Nunca se deve segregar um Down de vivências sociais.Eles gostam de
ir a festinhas,concorrer, apresentar-se.Os tímidos devem ser levados a uma
participação social maior.
Pergunta: Observamos que durante a infância as
crianças portadoras de S.D. apresentam uma demonstração de afeto e “amor”
direcionados principalmente aos pais e familiares. De acordo com sua visão e
experiência, o portador da Síndrome de Down faz uma interpretação diferenciada
deste afeto / amor em sua transição pela adolescência?
Resposta: Certamente o adolescente sindrômico, em
especial os que não são muito comprometiods neurologicamente, são capazes de
fazer a transição para os diversos tipos de afetividade e amorosidade.Muitos,
evidentemente, são muito apegados às pessoas muito próximas, seja na constelação
familiar ou na escola,em seus grupos de participação social.Quando se apaixonam,
todavia, geramente o sabem e gostam de comentar sobre seus sentimentos.Muitos
deles,numa clara imitação das estimulações obtidas na vivência familiar ou
através de revistas, televisão, em especial, filmes e novelas.Muitos pacientes
perguntam-me diretamente como se beija, o que se faz na cama.Tenho sempre o
cuidado de, ao lhes repassar a educação sexual necessária, colocar limites, por
exemplo, falando de pessoas que são casadas, de como podem se proteger de
impertinências sexuais e abusos, naturalmente, deixando que elaborem tabus
necessários(para evitar incestos, por exemplo).Sempre desenho para eles, peço
que desenhem sobre o que estamos conversando, o que ajuda a aliviar tensões e
curiosidades.Falo com clareza, por exemplo das diferenças genitais, da
fecundação, do parto,naturalmente, fazendo uso de livros infantis, muito
práticos por terem uma linguagem clara e muitas gravuras elucidativas.Bom
lembrar que eles gostam de que informações sejam repetidas(em qualquer área, não
apenas na sexual).Noto sempre que,interessados afetivamente, usam as palavras
pertinentes ao enamoramento:namoro, noivado, casamento, tesão, beijo, abraço...
Pergunta: O portador de S.D. também apresenta
modificações físicas, psíquicas e mentais na adolescência. É uma fase que os
hormônios “ficam aflorados” e há um despertar bastante relevante pela
sexualidade. Na sua visão, você acredita que os adolescentes com S.D. relacionam
estes “impulsos sexuais” ao sentimento amor?
Resposta: Muitas vezes,os impulsos sexuais não são
tão claramente compreendidos como os sentimentos de amorosidade.Na maioria
delas, a causa é a pouca ou nenhuma conversa a respeito que tiveram a respeito.É
comum parentes de pessoas com Síndrome de Down considerarem-nas assexuadas ou
anjinhos e quando há expressões dessa sexualidade na qual não acreditam, elas
são reprimidas.Em minha carreira de psicóloga, muitas vezes orientei professores
que não sabem o que fazem quando seus alunos se tocam ou chegam a se masturbar
em sala de aula.Naturalmente, o aflorar das sensações de um adolescente
sindrômico é o mesmo que o dos adolescentes ditos “normais” ou
eficientes.Estes,no entanto, o fazem às escondidas, a não ser que tenham algum
distúrbio a ser considerado.Costumo orientar professores e pessoas sindrômicas
dizendo que algumas coisas, como defecar, urinar, são feitas de portas
fechadas.Masturbação também.Em casa, essa educação com limites deve ter
continuidade.Não se pode reprimir as manisfestações de afeto, como beijos e
abraços, mas é preciso fazê-los entender que quem é abraçado, beijado, deve
consentir.Em jogos e brincadeiras é bem mais fácil de permitir que esses
carinhos aconteçam de forma natural, semelhantes a aplausos.
Pergunta: A sexualidade do adolescente com S.D.
está relativamente direcionada ao sentimento amor?
Resposta: Quase sempre , não, mas por certo, a
amorosidade leva a uma necessidade maior de expressão e complementação
sexual.Alguns pais permitem que seus filhos se relacionam, mas essa é uma
atitude que raramente ocorre.Na verdade, temem despertar promiscuidade,abuso
sexual, permissividade,por considerarem que a pessoa com SD não saberiam
distinguir a necessidade de limites.Adolescentes bem orientados e que em casa
recebem muito afeto, têm também maior facilidade de aceitar limitações e se
satisfazerem com namorinhos que lhes satisfaçam a afetividade, a amorosidade.É
comum que se sintam “importantes” e capacitados quando podem namorar, o que os
iguala ao comportamento adolescente dos demais não sindrômicos.Bom levá-los para
dançar, por exemplo, ou a shows musicais, pois sempres se sentem mais felizes,
em geral, quando lhes é permitida a inclusão social.
Pergunta: Há como separar amor e sexualidade na
fase da adolescência?
Resposta:Certamente,em especial se o amor for
valorizado e permitido, incentivado como algo agradável e bom.Tive um paciente
com SD que escrevia lindas poesias de amor,onde expressava seu interesse, a
beleza da garota, seu ciúme e saudade.Tudo da forma mais natural possível.Quanto
menos eles têm atraso intelectivo, mais amam.Quanto maior o deficit, mais
demonstram as necessidades puramente sexuais, como esfregar-se em outras
pessoas,com fins de prazer sexual , às vezes na professora, na empregada em
estranhos e até na mãe.
Pergunta: Você acredita que as interpretações do
sentimento amor, para o adolescente com S.D. estão correlacionadas com namoro,
casamento?
Resposta:Esse amor associado a aprendizado
diretamente ligado a estimulação de programas de Tv,em especial das novelas e de
revistas,quase sempre possui verbalização,desejo,entrelaçados e interpretados a
atos costumeiros de namoro(por exemplo, andar de mãos dadas, acariciar) e de
casamento.Uma de minhas pacientes, adolescente, entra no consultório abraçada a
revistas da sala de espera, tipo publicações femininas(Nova, Marie Claire).Então,
mostra-me ilustrações de casais e me pergunta a respeito.Faz isso desde a
puberdade, demonstrando uma associação cada vez maior com o que
deseja.Atualmente mostra um par na cama e me explica:”eles estão juntos porque
acabam de se casar”.Sabe que não se vai para a cama muito jovem, que não se casa
com estranhos, que a relação sexual é para os que se casaram.Essa,uma visão que
a protege de abusos sexuais, infelizmente, muito comuns com crianças e
adolescentes mais inocentes, como os que nasceram sob o estigma da SD:por causa
dos traços fisionômicos e das atitudes infantis, podem ser um atrativo para
pessoas com taras como , pedófilos,sádicos
.Atualmente, por obterem um tratamento mais amplo, nadam, jogam,fazem academia e
são mais fortes.Antes, quando ficavam segregados em lares ou asilos, sofriam de
maior fraqueza muscular, atonia, o que os fazia quase indefesos, verdadeiras
vítimas de “predadores”.
Algo a considerar é que o nível de fantasias é inicialmente ligado ao
registrar-se de uma imagem, que o sujeito deve perceber(como sonhos acordados,
diurnos,cenários, protagonismos ambicionados).Uma pessoa muito limitada, tem
mais dificuldade em perceber e desejar, deduzir as atividades egoícas...Outra
dimensão da fantasia necessária ao estado amoroso é o registro da lógica.Nem
todos os limitados podem deduzir,criar,combinar os enunciados de seu próprio
desejo.Lacanianos chamam de causa “inomeável’do desejo à abstração da fantasia
.Essa, deve ser passível de se impor como real, todavia, na relação do sujeito
com seu próprio amor e com o objeto desse amor.São abstrações difícieis na
pessoa sindrômica, mais ou menos passíveis de acontecer.Mas não impossíveis,
certamente.
Pergunta: “Viver um grande amor”. Essa frase pode
ter para o adolescente com S.D. o mesmo significado que tem para os adolescentes
do grupo controle (que vêem isso relacionado ao amor vivenciado entre sexos
opostos)?
Resposta: Eles podem ter amor, amores. Talvez não
saibam medir a intensidade do que sentem,precisamente,mas reconhecem o sentir.
Todavia, o grupo de controle tem, claro, maior capacitação intelectiva para
distinguir seus graus de comprometimento amoroso, como diferenciação entre o
ficar, o estar comprometido,apaixonado, querer alguém para sempre, etc..
Pergunta: Amor. Na sua linha de atuação na
Psicologia, têm alguma definição? Pode nos esclarecer algo sobre?
Resposta: O amor além de mola propulsora a atitudes
e reações afetivo-sexuais,é explicado também bioquimicamente.Trata-se de uma
descarga hormonal muito forte, que provoca reações físicas
pertinentes:vermelhidão e palidez,taquicardia ou bradcardia,,verborréia ou
mutismo, alegria inexplicável ou , tristeza,esperança ou insegurança, depressão
ou elação,vontade de rir ou de chorar,por exemplo.Tudo isso, mescla-se à
afetividade, à admiração,ao prazer e fatores vários.
O amor leva ao desejo de completude.A presença da pessoa amada faz-se
necessária.Em sua falta, a pessoa experencia carência, vazio.O objeto amado é
perseguido, como um fim.Se ao obtê-lo, os sintomas acabam, era apenas paixão-e a
paixão é extremamente ardorosa.Se apenas sofre mudanças, amadurece,vem o desejo
de permanecer ao lado da pessoa para sempre,de ter filhos, etc, é em geral,
amor.A paixão e o amor,podem porém andar juntos,representar algo bom ou ruim e
por certo, estão sempre influenciados pela personalidade, caráter,cultura,crençasm
mitos , tabus, romantismo em maior ou menor grau.
Além disso, há muitos tipos de amor.O philia, favorece as amizades
duradouras,como casais de longa ata, afiliações, a caridade, o amor ao próximo.O
ágape, é sacrificial, como o materno acostumou-se a ser considerado, o de
religiosos por Cristo,pela humanidade –como o de Madre Teresa de Calcutá, da
Irmã Dulce(em pessoas missionárias, ágape e philia se entrelaçam).O passional
deixa-se envolver pela paixão,consome, é capaz de atitudes extremadas,como
matar,morrer pelo objeto de desejo.O amor romântico provoca grandes desejos de
expressão verbal, gestual, reacional.Passa pelo território dos sonhos e
facilmente se frustra quando o ser amado não corresponde ao esperado.Há,
paradoxalmente, amores egocêntricos,onde a pessoa amada deve estar voltada
apenas para o casal.Penso que o amor verdadeiro é capaz de grandes cuidados pelo
objeto de amor,de usufruir da presença do outro, de ser capaz de certas
renúncias, embora não se perca de si e de seus ideais,de sua vontade, apenas
para conquistar a estima de outrem.Certa vez li, que “o amor é o sentimento de
quem se compraz na posse de um bem”.Creio que o prazer desse compartilhar é um
bom sinal, mas a palavra “posse” usada pelo autor, muitas vezes cerceia e poda o
livre desenvolvimento d a personalidade( a pessoal e a do Outro).Equilíbrio e
generosidade, prazer e alegria devem ser os sinais suficientes para um
envolvimento amoroso saudável.
Pergunta: Por que os adolescentes buscam tanto o
amor? E este amor, tem relação com o que?
Resposta: O amor é freqüentemente sugerido como
algo prazeroso.O ser humano precisa do gozo para a sensação de bem estar que o
localiza em um determinado contexto relacional.Os adolescentes buscam um lugar
no mundo adulto.Querem afirmar-se,No início, conseguem um mundo de experiências
no comportamento gregário, fazem a maior parte de tudo, em grupos, usufruindo do
estar com amigos.Aos poucos, quando define-se um par,sentem que estão imitando
novelas e filmes, seus pais,irmãos, amigos mais velhos.São protagonistas de sua
própria historia de amor.
O amor, de per si, supre o buraco das carências, sejam elas quais foremTomam o
lugar da fantasia, alguém ocupa a expressão da sexualidade antes conseguida,
pelo exemplo, pelo prazer solitário, a masturbação..Os sentimentos de prazer são
relacionados com o seio bom,à realização, à completude tão necessárias à
felicidade que o ser humano tanto pesegue.É comum se delegar a outrem esse
sentimento de “ser feliz”:não podemos sentir felicidade sozinhos, acredita a
maioria.Apenas ascetas e santos não o crêem...
A questão do desejo sexual é uma questão absolutamente enraizada na
Humanidade.Há porém, desejos de comunhão com alguém,que não necessitam do ato
sexual, basta a simples presença do ser amado ou percebido como tal.Nesse caso,
trata-se de um sentir assexuado , sublimado, canalizado.Basta o estar com, o
estar para.
O amor é agente de defesa contra a probabilidade de angústia.na perspectiva de
Hegel, “o desejo é o desejo do Outro”, mas na perspectiva lacaniana é algo que
perpassa pelo imaginário. O desejo pelo Outro necessita pois de um
reconhecimento.O objeto de amor, se não reconhecido, não o é.Por isso, para
pessoas com SD que têem muitas limitações intelectivas, de percepção ou de
condicionamentos afetivos e até aprendizados imitativos,o amor parece não
acontecer.
Pela falta de estímulo/conhecimento, o amor não lhes ocorre,não acontece.A elas
é negada o re/conhecimento dessa necessidade de complementação.Dessa forma, essa
criatura limitada não é essencialmente um desejante como os demais
.Principalmente porque, na maioria das vezes, não é um desejado.
Pergunta: Você acredita que este processo de
inclusão dos portadores de me de Down no contexto social de vivência de amor
pode fazer com que eles diniz possam ser totalmente independentes no exercício
do namoro / casamento?
Resposta: As pessoas que cercam as pessoas com
Síndrome de Down devem prestar-lhes uma espécie de contínua assessoria, pois
muitas situ/ações –limite podem ocorrer.Isso vale para quaisquer setores de sua
vida e não apenas na vivência amorosa.Seja na elaboração de tarefas escolares,
no acompanhamento da vida social, o exercício do ficar/namorar deve ser
acompanhado de perto. Casamento, algo mais raro, por extensão, necessita de
ajuda contínua,embora se deva respeitar os direitos de privacidade,
escolhas,realização.
A inclusão plenificada, sem preconceitos, é uma das atitudes mais humanitárias e
necessárias que uma pessoa com quaisquer necessidades especiais possa ter. Não
basta freqüentar as mesmas escolas,o mesmo clube, “poder” usar os mesmos
coletivos. Sobretudo é necessário apenas ser reconhecido como alguém da raça
humana, apenas diferente da maioria.
06/06/2006
14h53