Prefácio
Vânia Moreira Diniz

Poeta,escritora, psicóloga com um dom extraordinário para se mover entre todos esses segmentos,o talento de Clevane pessoa circula e forma um elo fascinando o leitor e levando-o a "sentir"sua palavra.Nesse e-book "Velçhos Olhos,Novos olhos",seu olhar extraordinariamente sagaz e humano alcança o mundo de hoje com seus tormentos e exclusões.Mas não se esquece que o ser humano se divide entre alegrias e tristezas,mesmo aquele que tormentosamente aina não conseguiu que a inclusão a configure numa vida digna com o mínimo de condições para sobreviver.Clevane como poeta sensível e atenta psicóloga

e por isso mesmo sentindoa dor com mais ênfase

se refaz nios poemas que compões entre a realidade

fria e explícita e as metáforas cantadas e comporeendidas na verdade exposta e transparente.

 

"patra amenizar a lida,as lavadeiras de Minas lavam cantando demais o que lhes vai pela vida"

 

Na estrofe desse poema magnífico,a poeta expressa o

quadro encantador dessas mulheres que perfazem o caminho com alegria e muita "Lida".

 

E descreve as crianças ,no afã de sentirem sensações nas ruas,convivendo com a miséria,vítimas inocentes das drogase da fome, enquanto sobrevivem pelos caminhos sem infãncia, sem brinquedos,sem possibilidade para experimentarem o tempo que não volta mais.Lembra as mães padecendo na sofreguidão do "se dar",as pessoas nas calçadas sem esperança e sem abrigo, a fome rondando  e os nostálgicos sofrimentos, a prostituição, a viol~encia, ou a culpa misturada com a bondade,inocência ou expectativa.

 

A poeta não esquece da devastação da natureza,especificamente dos incêndios em portugal,e na trágica conclusãodos acidentes naturais em contraposição com a Poesia a se espalhar no planeta.

 

Palavras sentidas,vicejadas da alma,oriundas de sua condição de mulher e poeta,ser humano se arrastando pelas estradas de pedregulhos pontiagudos e minando as gotas de dor e dilaceração.

 

Clevane como sempre entende cada instante de insatisfação que projeta em seu próprio coração, o contraste da vida com suas incoerências e as exclusões que atormentam no momentomesmo de sua criação.

 

"Ardente,deserto de areias misteriosas,

teu olhar preencheu meu imaginário...

Estremeci quando o Simum,vento de fogo,

queimou-me a pele,na rota que traçavas..."

 

E assimo sentimento que carrega, a percepção que atinge seu ser, "arranha" sua -pele e se faz ela mesma na afli~ção inesperada,clara,profunda.

 

Ali é o ser humano,a mulher sensível e dorida ,a psic´[ologa que acompanha os riscos, a escritora que transpões qualquer momento muitoprevisível e aparece principalemnte pronta para oferecer seu teto e sua vida no mais belo símbolo de questionamento.

 

Os excluídos que canta nos sensíveis e belos versos rompem sua alma em chamas e ultrapassam o ser físico ferido para embalar e confortar o interior de alguém que nesse momento precisa da inclusão consciente.Aquela que não apenas abriga,mas o transforma num ser compreendido,amado e igual.

 

É assim a obra sedutora de clevane pessoa, a poeta que se parte em mil pedaços de agonia e de talento e atrai os leitores para se envolverem em seu trabalho de amor universal a cada ser.Homem ou mulher,preto ou branco,criança ou adulto, condensando sua ternura no envolvente abraço à humanidade no pacote de incompreensão,tristezas,guerras,fome,doenças,gritos da natureza,avalanches sintetizadas na miséria universal.Transformadas em marcas indeléveis.

 

"Quando fui te conhecer na maternidade

anunciei á família que eras um louro japonesinho

e através desses olhinhos repuxados"(...)

 

E ecoa seu profundoamor pelo querido "maninho" mostrando ao mundo e à família toda a benção de seu nascimento.Que ela como  doce poeta canta em versos na inspiração de suagenerosodade manifesta e verdadeira.

 

"Velhos olhos,Novos Olhos",revela o coração,o interior dessa brilhante poeta vibrante,talentoda esensívelexpressando todo um eco que permanecerá ilesonum cantoda alma do leitor.Clevane é a poeta,a escritora,mulher, a mãe, a companheira, a filha aturdida entre sentimentos sobrecarregada de afazeres, questionando cidadania e transbordando de amor.

Vânia,querida apresentadora,que sobramaneira,enriqueceu meu modesto e-book com essa percepção acurada de meus dizeres poéticos,de minha essência feminina,de meu enganjamento com a poética -social e os menosvalidos,os excluídos...

obrigada!

Clevane Pessoa de Araújo Lopes

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