
Ponho no
vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade me vem de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.
(versos extraídos do poema Pátria Minha de Vinicius de Moraes)
Sandra Falcone
sandbutc@uol.com.br
www.sandrafalcone.com.br
Des-palavra
Sandra Falcone
Pensei em fazer uma pequena biografia da minha pessoa, escondendo a idade, naturalmente ( risos) mas...., reconsiderei.
Sandra Falcone, brasileira, divorciada, residente em São Paulo, advogada. Publiquei dois livros de poesia , acompanhados de cd : “Retraços de Mulher” e “Notícias de Mim”.
Tenho um site,: www.SandraFalcone.com.br, e uma mania muito antiga: escrever.
A fascinação pela palavra escrita nasceu comigo, mesmo quando não entendia o significado, ou melhor, não sabia ler.
Tinha fascinação!! Olhava aquelas coisas que nem sabia que nomeavam de “letras” e ficava encantada - sabia que devia haver algo mágico ali.
Minha mãe me diz que meus primeiros desenhos foram traços próximos de letras e quando ela perguntava pra mim o quê era aquilo que eu desenhava eu dizia: nossa casa, meu brinquedo tal, minha bi-vó, ou seja, eu não relacionava nada com a forma , não tentava copiar ou desenhar um objeto ou uma pessoa, queria “escrever” a pessoa.
Tudo isso para dizer ( risos) o quanto sou vidrada na palavra escrita, muito mais do que nas palavras “faladas” ou “ouvidas”.
Tanto que, muitas vezes, quando alguém me diz: vc disse tal coisa, eu penso intimamente: sim, é verdade, eu disse, mas não escrevi, como se não fosse lá muito responsável . Mas se alguem me diz vc escreveu. Vixxi... que buraco!
Custou muita terapia pra mim o silêncio oral. Eu fui uma das pessoas mais mudas que conheci, no entanto, a mais tagarela, escrevendo; a mais distraída ouvinte , escutando; a mais atenta ouvinte, lendo.
Então podem imaginar o que foi a invenção da Internet na minha vida - quando se vive no mundo das palavras escritas.....
Entender que nem todo mundo tem o respeito que eu tenho pela palavra escrita, foi o diabo pra mim Acreditava em tudo que era escrito, como se fosse a minha verdade. Era uma escrevinhadora e leitora de boa fé.
Com o tempo e a prática e, principalmente, a contradição da palavra escrita por outra palavra escrita, ou seja, pela “des-palavra” entendi um grande ditado popular : dize-me com quem andas que eu te direi quem és.
Com a convivência escrita não há como se esconder um caráter - sem querer , sem perceber, a alma se devassa, conta, confessa.
É o que pretendo fazer com a minha coluna Con-Passo.