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Vó Dora, vida, arte e exemplo Dora Gomes Mischiatti nasceu numa fazenda do interior paulista da cidade de Amparo. E veio ao mundo já com a poesia na alma. Muito pequena sentia e transmitia os acordes de uma poesia ao ver desde um simples objeto até o céu azul e maravilhoso. Sua sensibilidade, doação às outras pessoas e forma de encarar a vida sugeria logo a maravilhosa poeta que seria um dia. E desde criança ela expressava e sentia tudo isso na bondade e sensibilidade que nunca sairiam do seu coração. Depois lecionou como professora substituta em uma escola da fazenda e mostrava outro pendor artístico fazendo lindos vestidos de noiva, que envolviam também sua arte. Na verdade era uma artista e nascera para uma missão de muito amor. Mais tarde casou-se com Joaquim Mischiatti e teve dois filhos , Laudo e Helena continuando a sua inspiração poética que não concentrava num só livro mas espalhava à sua volta. E verdadeiramente o ensinamento que ela passava às outras gerações era a igualdade e fraternidade que devia existir entre as pessoas.E transmitiu isso a seus netos, Marc e Eliane Fortuna Grassi com a força do seu exemplo e postura de vida. Por isso sinto-me emocionada e orgulhosa de falar sobre essa mulher que construiu a partir de si mesma, sentimentos de amor universal e carinho a um mundo que ela recebia de braços abertos e ternura constante. Seu canto de poesia era a forma, o elo que tinha para compreender e demonstrar essa paixão pela vida e pelos seus semelhantes. Quando
menina acompanhava a mãe quando ela ia para colheita e fez mais tarde um
belo poema em que expressa todo seu amor filial e consideração pela vida
e seus elementos: cresci
e virei menina Depois compôs também u “meu vestido de Menina”, reminiscência de sua infância laboriosa e encantadora: Meu vestido de menina mamãe
me dizia hoje
cresci e vou ao baile com um belo rapaz Aos 60 anos ficou cega e sua incrível capacidade, potencialidades e inspiração ainda mais se aperfeiçoou. No escuro em que se tornou fisicamente sua vida, abriu-se fascinante perspectiva em sua arte e parecia que o que não conseguia ver , sentia, amava e transmitia em dobro. Foi o período em que mais produziu e em que sua alma mais profundamente se uniu à poesia de uma maneira profunda e instintiva. Sua profunda fé pelo universo, cercada de netos e bisnetos, encantando com a poesia que amava e que nos últimos trinta anos, já deficiente visual ainda mais se aprofundou foi exemplo de vida, amor, solidariedade, e intrínseca arte na verdadeira e mais consciente acepção da palavra. Morreuno dia o8 de agosto de 2001 aos 94 anos de idade, mas sua vida sempre será lembrada e seu memorial constituirá para todos que o visitarem um deslumbramento pela vida cuja missão foi linda e integralmente cumprida. Sua poesia, composta de amor, ternura, verdade, inspiração e extraordinário talento está ali entre os descendentes da família tal como Lord Marcello Raphael Fortuna, a neta Eliane Fortuna e a bisneta Marcia Lizandra Grassi com obras já publicadas. |