Poemas

Pedro Cardoso Machado

DENGO

 Quando tenho em mim, suas mãos,

Sinto as delicias dos toques,

Dos dengos, das carícias não ditas

Mas pensadas em silêncio e gozo.

Palavras derivam da minha cabeça,

Em pedaços que partem de mim e comigo,

A procura de um querer infinito.

Ou quem sabe de um ninho irrestrito?

Me parece verdadeiramente um sonho

Um sonho convergente em nós

Um delírio sem explicações ou razões,

Algo que fala por nós e de nós.

Me vejo moleque, travesso e afoito

Fazendo enriquecer as responsabilidades

E os afazeres obrigatórios do leito.

Tento ver na lua a clareza de nossas idéias

E nos seus trejeitos sem palavras ou feitos

As qualidades escondidas, quase nuas.

Aí, me desespero sem querer

Enlouqueço sem poder

Me vejo fincado em seus braços

Mesmo sem você querer.

Sua boca me procura

Seus olhos me desnuda

Enquanto a boca da noite cai sem frescura.

O vaga-lume passa lento,

Clareia os nossos olhos ainda ao relento

E vai acendendo e apagando

Lentamente como se fosse o guardião da imagem sua.

Acende apaga... Acende apaga.

É um farol minúsculo que abre e fecha

Como se dissesse: bem-me-quer, malmequer

Bem-me-quer, malmequer

E assim vai martelando nossas cabeças.

Algumas pancadas são pensadas

Outras mais são deliberadas

E outras e outras mais são perdidas 

No encontro de nossas bocas

Quando uma e outra se completam.

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