Poemas

Daniel Fiuza Pequeno

A beira do improvável
15/06/2001

Um frio dominador me faz tremer.

 

Na boca a secura e o fel, me fazem ver,
Cerrados olhos cegos do invisível ser.

 

Enganos que me fazem acreditar,
Ainda no porvir que me anima,
Esperança que se foi, e vai faltar.

 

Não acredito mais que seja poética,
A dura vida de valores mundanos,
O peito preso nessa duvida hermética,
Inexistência da pia vida nesse plano.

 

O sofrimento penso, a alma cadente,
Lágrimas voltadas para dentro de si,
Num viver selvagem, feito delinqüente,
Tenta expulsar a fera que não quer sair,
Demonstrando um ser pífio, só e aparente.

 

Em obscuros caminhos, grandes obstáculos,
Percurso sinistro sem nenhuma luminosidade,
O poderoso monstro, mostrando seus tentáculos,
Impedindo a busca, nessa luta, sua maldade.

 

Insensíveis seres, colonos do corpo em perdição,
Alterando o rumo, insinuando outras portas,
Calcificando em pedra, o que restou do coração.

 

Na cabeça a energia desgastada, descontrolada,
Um corpo a deriva, sem destino, triste, sem nada.

 

Tremendo de frio, sinto o destino me fazer infeliz.

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