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Considerando a etimologia das palavras,
veremos que todas as que refletem uma conotação
positiva são
femininas: delicadeza,
generosidade,
solidariedade,
sublimação,
compaixão, a
paixão,
beleza, gentileza,
educação.
Em
tempos
idos, fomos as
vestais, as musas,
as rainhas
do lar, as
vigas
de sustentação dos
maridos, as educadoras dos filhos.
Em
tempos
feministas, abominamos o fato de ser “rainha do lar”,
a sombra do
marido
e nos tornamos
profissionais.
Não por
um chamado
intrínseco
de profissionalismo e responsabilidade, mas
porque a nova
sociedade tirava do homem
a prerrogativa de
ser
o único e
principal
mantenedor.
Chamada
à ação,
por um
mundo novo que demandava outros
braços para o
trabalho, a musa
de todas as épocas
não
decepcionou, como
em
tudo o que
faz. Foi à luta, conquistou seu espaço,
sedimentou sua
posição
no mundo novo
e hoje é o
que
se fez: a musa
completa.
Aquela sobre quem não ficaram dúvidas:
continua sublime,
delicada
e compassiva,
cantada
em odes
e liras de
amor, perpetuada como
a fonte
inspiradora de todos os trovadores, musa
de todos os
poetas.
Permanece mansa, meiga e amorosa, continua a educar seus filhos, a buscar fazer deles o melhor daquilo que
possam ser.
Ainda
é o esteio
do marido, do
amante,
ou do namorado...
eles mesmo
reconhecem que “atrás
de um
grande
homem, existe
sempre
uma grande
mulher”.
Só que
hoje ela
caminha par-e-passo
com
o companheiro,
sem
disputas, mas
num movimento de
compartilhamento, tanto no que
diz respeito à
manutenção
do lar,
quanto
aos cuidados
com
os filhos e a
administração
do patrimônio da
família.
Sem
deixar
de ser a musa
inspiradora, dócil e terna, conquista
degraus cada
vez mais
elevados, espaços
antes considerados
essencial
e exclusivamente
masculinos.
Tudo sem
perder de vista
a feminilidade e a graciosidade
de uma vestal.
Hoje,
a guerreira-musa apropriou o
papel do homem
sem negligenciar
as qualidades
essencialmente
femininas.
Se temos que cantá-la em
verso e prosa,
que não
nos esqueçamos de
que
a musa adotou
outro
perfil, uma nova
cara, um novo status. Sem deixar de lado as qualidades
e prerrogativas das
palavras
etimologicamente femininas. Talvez, por isso, seja mais e mais cantada em versos e odes e
liras, que
se traduzem em
doce
encantamento de
seus
cantadores, menestréis afoitos que, aos
seus pés,
depositam flores,
cantos
e encantos.
Esta nova guerreira
ganhou não
só
o status de
cidadania
mas a admiração
do homem,
porque
ele sabe com
quem divide
espaços
e, com o
respeito
conferido pelas prerrogativas da nova situação,
conhece bem as
atitudes
que devem ser
tomadas para
a musa-guerreira-menina-mulher ser
para
sempre e irremediavelmente conquistada.
Maria Tereza
Armonia |