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Melancólico Encerramento
Vânia Moreira Diniz
Estou de luto. Estou decepcionada realmente por acontecimentos que interceptam os passos de nossa literatura. Isso aconteceu durante a semana que passou.
Montei bibliotecas em
diversos lugares da capital da República para que as pessoas pudessem ter o
prazer de uma boa leitura e até de trocar ou levar para casa um livro. Seria mais uma
oportunidade de intercâmbio cultural principalmente para aqueles que não têm
oportunidade de ter contato com os livros.
Uma das bibliotecas era localizada numa
Farmácia cujo dono eu conheço há bastante
tempo e que depois de uma larga experiência resolveu abrir sua própria farmácia.
Esse farmacêutico amigo ficou entusiasmado com a possibilidade de oferecer aos
seus clientes os livros que eu selecionara de minha própria casa. Era um ponto
de curiosidade e apoio para todos que frequentavam a farmácia e enquanto
esperavam ser atendidos. Muitos iam lá apenas para trocar ou devolver os livros
que haviam levado.
Isso aconteceu há quase três anos e ficamos encantados com a difusão da literatura e artes num ponto em que as pessoas geralmente chegam por vezes deprimidas com os próprios males.
Essa semana recebi um recado de Walmir, o farmacêutico responsável que recebera uma visita da Vigilância Sanitária e que o ameaçara de multar a farmácia pela presença dos livros. Ele argumentou que os mesmos estavam ali apenas para serem lidos e já faziam parte do interesse dos clientes.
O que terá o fiscal identificado de tão mal nos livros ali depositados? Seria ácaro? Seria poeira?
Não acredito nesse argumento, pois como sabemos todos os medicamentos são hermeticamente fechados às vezes até com dificuldade de abri-los e invariavelmente contém a bula de papel. Este não seria um indutor para a produção de ácaro, assim como o seu invólucro e a sua caixa de papel?.
Tenho convicção de que faltou ao agente público sensibilidade para a sua decisão.É importante ressaltar que a este fiscal cabe verificar as irregularidades e por elas propor correções.Não creio, no entanto que o livro fizesse parte delas.
Tive que agir no prazo de cindo dias dado pela Vigilância Sanitária e fechei tristemente o Espaço Cultural posicionada num cantinho da farmácia, recolhendo os livros que tão cuidadosamente escolhera para o deleite dos clientes.
A insensatez fechou uma porta extinguindo uma mini biblioteca, mas a nobreza de atitudes do grupo Gazal dirigido pelo conceituado Empresário Antônio Matias recebeu os livros de forma imediata para a colocação em biblioteca por ele mantidas.
Respeitei a ordem da Vigilância Sanitária cujo trabalho sempre admirei lamentando esse episódio e principalmente a atitude radical de suas decisões, retirando friamente uma biblioteca já tão necessária ali naquele ambiente.
Há certos momentos na vida que precisamos usar o discernimento e a humanidade mesmo em regras absolutamente precisas mesmo porque tenho certeza que os livros ajudavam as pessoas e já era um ponto de encontro também com as letras.
Estou de luto, mas realmente feliz porque ainda existem pessoas que compreendem o valor da leitura. Agradeço ao Farmacêutico Walmir seu carinho para o nosso espaço cultural que se extingue ali tão melancolicamente.
Vânia Moreira Diniz
Comentários de amigos e leitores para os quais agradeço o apoio
Caríssima Vânia Diniz
Repasso a vocês este Comunicado da amiga Vânia Diniz, cujas qualidades e atividades, inclusive culturais e sociais, abrangendo um amplo leque de áreas vocês já conhecem pelo que dela tenho dito sempre, inclusive nos meus convites de crônicas que entram na minha coluna no ESPAÇO ECOS.
Amiga Vânia Diniz, entendo sua tristeza e assino meu nome em baixo na sua indignação, mas sinceramente acredito, que não é este lamentável episódio que a fará desanimar, pois definitivamente não faz parte do seu perfil de mulher lutadora!
Querida Escritora Imortal e amiga de tantos anos Vaninha, um ciclo se fechou, diz a sabedoria popular que quando uma janela se fecha uma porta se abre...( mais ou menos)
Querida Vânia,
Falar que no Brasil as pessoas não têm o hábito da leitura ou que o brasileiro não gosta de ler, não é de todo verdade, mas se continuarmos a desfazer o que já está caminhando (bem) ou colocarmos cada vez mais dificuldades entre as pessoas e o livro e a leitura, sem dúvidas, contribuiremos para a ignorância e o desconhecimento. Existem muitas pessoas que dedicam suas vidas para construir o saber (o próprio e o do semelhante), não necessariamente um professor, mas quem gosta de ler e sabe o valor que tem, faz o possível para popularizar este “gosto”.
O que seria da literatura e do aprendizado da sociedade, se a valorosa obra de Machado de Assis (1839/1908), apenas para citar um exemplo, não fosse eternizada em livro e amplamente divulgada para a leitura? Os grandes estudiosos reconhecem que foi de fundamental importância o legado deste escritor, que influenciou grandes nomes das letras, como Olavo Bilac, Drummond de Andrade, John Barth, Donald Barthelme e outros tantos em sua produção literária.
Não devemos e nem podemos impedir o caminhar que o livro percorre. Acredite: quando uma janela é fechada, uma ou várias portas são abertas, especialmente falando do conhecimento.
Vânia Diniz, você é uma grande incentivadora da educação, do conhecimento e da leitura. Sou solidária com sua tristeza e indignação.
Abraços,
Edylsia Simas (Gacy)
Vânia, querida,
eu lamentei muito o encerramento da biblioteca da farmácia...
Mas, os livros seguirão seu curso e continuarão chegando aos olhares amáveis
de seus leitores.
Beijos, fique bem
Madalena Barranco
Querida Vânia
Débora Villela Petrin.
Vânia, fui lendo
seu texto e sentindo uma dor profunda na alma,
o ser humano perdeu sua identidade, onde a alma já não consegue
separar a realidade do bem, é uma atitude inadmissível
o que fizeram na farmácia que divulgava livros aos seus clientes.
Chocante atitude.
Receba minha solidariedade ao fato,
com afeto,
Efigênia Coutinho
Aqui na cidade os escritores formaram stand em vários estabelecimentos, como restaurantes, cafés, e os livros são utilizados como numa biblioteca ou podem ser lidos no local tb. A iniciativa tem dado resultados e está se espalhando. Acho que faltou sensibilidade ao fiscal. Tem que saber o que ampara legalmente a atitude dele para que não se perca um espaço cultural nesse país já tão carente de cultura.
Querida Vânia:
Lamento profundamente a atitude obscura dessa entidade.
Um absurdo sem tamanho...
Que tal fazer uma reclamação na Imprensa?!
Um Abaixo-Assinado online.
Fica a sugestão.
Beijos
Gustavo Dourado
Amigo Simões
Estou solidário com o sofrimento da Vânia. De fato uma medida desastrada desse fiscal. Só temos a lamentar uma atitude tão retrograda.
Temos a tirar de positivo desse triste episódio, a atitude mui digna do grupo Gazal que acolheu os livros retirados da farmácia.
Abraços também entristecidos do
Leitor amigo
Orlando Machado Barcellos
se quiser preparar uma
nota de repúdio, ou mesmo esta, podemos divulgar na página do Sindicato
ou se tiver outra idéia para mobilização, podemos chamar nossos
confrades
Abraço
Elias Daher
Presidente do
Sindicatos dos Escritores do D.F.
Querida Vânia
Também não entendo essa atitude da Vigilância! Acho que, se existe
algum entrave abrigado pela legislação municipal específica
do setor,
deve haver
um meio de corrigi-lo, contando para isso com a boa vontade
dos vereadores da tua cidade, que são, em última
análise, as pessoas
que fazem as leis municipais. Oficinas gratuitas e bibliotecas em
todos os locais onde for permitido, é um dos
caminhos para se criar o
hábito da leitura no
povo brasileiro, que, se sabe, só proporciona
crescimento intelectual, informação,
formação de valores, cultura,
enfim. Desejo que este mal entendido seja desfeito.
Abraço,
Scyla Bertoja
Fiquei horrorizada com o que ocorreu com a
biblioteca da farmácia de Brasília, que a Vânia alimentava com
carinho.
Atitudes dessas não são apenas desoladoras. São
desanimadoras.
Um beijo e boa semana!
Silvana Guimarães
Que loucura! Amiga!
São as “coisas” que não consigo entender no nosso País. Ainda bem que existe um Grupo Gazal!!! BRAVO!
Um beijão, da amiga,
Meireluce Fernandes
Amiga,
é por isso que estamos mergulhados neste
país em que as autoridades não sabem o que fazem! Somo minha decepção
à sua!
Beijo
Vania Serra
Olá Vania, boa tarde
Multar uma farmácia por causa dos livros?
Que absurdo este
país!
Abraços
André Prado
Vania,
Me compatibilizo com você.
O problema está na cultura...
Beijocas,
Val Beauchamp
Prezada Vânia,
Fiquei desolada com a notícia que nos mandou. Uma pena ! Achei a idéia genial, poderiamos adotá-la em nossas cidades. Parabéns!
Abraços da
Sonia Sales
Link do Blog do Dr Paulo Roberto de Almeida
Esta mensagem foi encaminhada pelo contato do
Portal Vânia Diniz
Olá Vania, conheci você pela REBRA, fiquei feliz de ver a sua luta
pelo livro e ao mesmo tempo sofri junto, com a impossibilidade de
colocar livros para emprestimo em alguns pontos que você havia
conquistado. Sou editora em Goiânia e tenho a mesma missão que você,
tornar escritores conhecidos, mas disponibilizar livros nas livrarias
não garante que os autores serão lidos, e eu aqui fico buscando novas
maneiras sempre. Só queria lhe parabenizar pelo trabalho e dizer que
não esmoreça, a luta é diária, mas a conquista é crescentes e no final
só vamos contar vitórias nem vamos nos lembrar das batalhas.
Um abraço
Izaura Franco