Reportagem da Jornalista Leilane Menezes publicada no
 Correio Braziliense  no dia 24 de fevereiro de 2011 no
 Caderno da Cidade pag. 66


 

Melancólico Encerramento
Vânia Moreira Diniz

Estou de luto. Estou  decepcionada realmente  por acontecimentos que interceptam os passos de nossa literatura. Isso aconteceu durante a semana que passou.

 

Montei bibliotecas em diversos lugares da capital da República para que as pessoas pudessem ter o prazer de uma boa leitura e até de trocar ou levar para casa um livro. Seria mais uma oportunidade de intercâmbio cultural  principalmente para aqueles que não têm oportunidade de ter contato com os livros.

Uma das bibliotecas  era localizada numa
Farmácia  cujo dono eu conheço há bastante tempo e que depois de uma larga experiência resolveu abrir sua própria farmácia. Esse farmacêutico amigo ficou entusiasmado com a possibilidade de oferecer aos seus clientes os livros que eu selecionara de minha própria casa. Era um ponto de curiosidade e apoio para todos que frequentavam a farmácia e enquanto esperavam ser atendidos. Muitos iam lá apenas para trocar ou devolver os livros que haviam levado.

 

 Isso aconteceu há quase três anos e ficamos encantados com a difusão da literatura e artes num ponto em que as pessoas geralmente chegam  por vezes deprimidas com os próprios males.

 

Essa semana recebi um recado de Walmir, o farmacêutico responsável que recebera uma visita da Vigilância Sanitária e que o ameaçara de multar a farmácia pela presença dos livros. Ele argumentou que os mesmos estavam ali apenas para serem lidos e já faziam parte do interesse dos clientes.

 

O que terá o fiscal identificado de tão mal nos livros ali depositados? Seria ácaro? Seria poeira?

Não acredito nesse argumento, pois como sabemos todos os medicamentos são hermeticamente fechados às vezes até com dificuldade de abri-los e invariavelmente contém a bula de papel. Este não seria um indutor para a produção de ácaro, assim como o seu invólucro e a sua caixa de papel?.

 

Tenho convicção de que faltou ao agente público sensibilidade para a sua decisão.É importante ressaltar  que a este fiscal cabe verificar as irregularidades e por elas propor correções.Não creio, no entanto que o livro fizesse  parte delas.

 

Tive que agir no prazo de cindo dias dado pela Vigilância Sanitária e fechei tristemente o Espaço Cultural posicionada num cantinho da farmácia, recolhendo os livros que tão cuidadosamente escolhera para o deleite dos clientes.

 

A insensatez fechou uma porta  extinguindo uma mini biblioteca, mas a nobreza de atitudes do grupo Gazal dirigido pelo conceituado Empresário Antônio Matias recebeu os livros de forma imediata para a colocação em biblioteca por ele mantidas.

 

Respeitei a ordem da Vigilância Sanitária cujo trabalho sempre admirei lamentando esse episódio e principalmente a atitude radical de suas decisões, retirando friamente uma biblioteca já tão necessária ali naquele ambiente.

 

Há certos momentos na vida que precisamos usar o discernimento e a humanidade mesmo em regras absolutamente precisas mesmo porque tenho certeza que os livros ajudavam as pessoas e já era um ponto de encontro também com as letras.

 

Estou de luto, mas realmente feliz porque ainda existem pessoas que compreendem o valor da leitura. Agradeço ao Farmacêutico Walmir seu carinho para o nosso espaço cultural que se extingue ali tão melancolicamente.

Vânia Moreira Diniz
 


Comentários de amigos e leitores para os quais agradeço o apoio

Oi Vania
 
o artigo está publicado no endereço
http://www.sindescritores.com.br/artvania01.htm

Elias Daher
Presidente do Sindicato dos Escritores

Caríssima Vânia
Triste retornar aos trabalhos com essa notícia.
Creio que a causa sairá fortalecida, o livro é cura e a cura é o remédio.
Um
axéBraço
jorge Amâncio
 

Caríssima Vânia Diniz

Postado no
http://poemacao.blogspot.com/
Um AxéBraço
Jorge Amâncio

Repasso a vocês este Comunicado da amiga Vânia Diniz, cujas qualidades e atividades, inclusive culturais e sociais, abrangendo um amplo leque de áreas vocês já conhecem pelo que dela tenho dito sempre, inclusive nos meus convites de crônicas que entram na minha coluna no ESPAÇO ECOS.

 
Eu não me surpreendo com a atitude do tal fiscal pois sabemos que o nosso Brasil deve estar perfeito no que se refere à educação, incluindo livros e professores, e quanto à saúde, ou à fiscalização sanitária, o referido senhor deve se sentir o dono da suprema verdade ao tomar aquela decisão estapafúrdia. Minha opinião.
 
O farmacêutico não vendia livros, apenas os deixava ali para seus clientes que quisessem ter acesso aos mesmos, enquanto esperavam ou para os levar, ler e devolver dias depois. Mas o rigor da "fiscalização" superou as abismais necessidades de livros e de leituras facilitadas pela iniciativa de Vânia Diniz e do seu amigo, o farmacêutico. Confesso que também me sinto de luto, como brasileiro. Sem mais comentários.
 
Abraço entristecido do amigo
Francisco Simões.
 
Mana, fiquei triste também com este final. Acompanhei de perto o nascimento deste projeto. Junto-me a você neste momento, até porque as coisas não precisam ser tão radicais. Regras às vezes impedem o desenvolvimento humano, o convívio, a alegria. Mas que bom que estes livros, que foram escolhidos com tanto carinho, foram utilizados em outros espaços. Fica a saudade de um projeto bonito, mas você é uma escritora que jamais deixará que fatos como estes impeçam que sua alma poeta vislumbrem novos caminhos. Vamos em frente!!!
beijos

Cristina Arraes
 

Amiga Vânia Diniz, entendo sua tristeza e assino meu nome em baixo na sua indignação, mas sinceramente acredito, que não é este lamentável episódio que a fará desanimar, pois definitivamente não faz parte do seu perfil de mulher lutadora! 

Pois não é a toa que todos ao seu redor a admiram e a amam tanto.
 
Passemos juntas por mais esta prova. As provas fortalecem nossas armas e juntos conseguiremos levar a mensagem. Conte com minha humilde pessoa que fielmente a admira por sua nobreza de alma.
 
Se puder fazer mais para que outras pessoas saibam do acontecido, conte comigo.
Estarei aqui sempre.
 
Abraços....

Érwelley Andrade
 

Querida Escritora Imortal e amiga de tantos anos Vaninha, um ciclo se fechou, diz a sabedoria popular que quando uma janela se fecha uma porta se abre...( mais ou menos)

Caos e cosmo conjugam-se  nesta jornada tanto literária como na vida. Sim seu luto terá um tempo, agora também é de nosso conhecimentos que as leis foram feitas para os homens e não o contrário... Teu trabalho, empenho jamais é em vão sementes ficaram, amizades foram criadas e teu texto denuncia a insensatez que por vez tem seu papel no jogo de sombra e luz . Abraços fraternos da tua leitora e manamiga,
 
Virgínia  Além mar

Vâninha minha Linda, assino embaixo ao que a nossa querida Virgínia tão 
brilhantemente escreveu...pois não consigo entender e nem ser sensata diante
algumas ações autoritárias... e reforço o que nossa Amiga Virgínia disse...Teu trabalho 
em prol da literatura nunca é em vão..a idéia foi semeada no coração das pessoas 
que faziam uso dessa biblioteca...a idéia floresceu...mesmo que em outro local
Grata pelo trabalho Lindo e incansável para melhorar o viver dos menos favorecidos
Parabéns Vâninha querida!
beijinhos com carinho infinito da Li que te Admira muito.
Eliana Faro Valença

Querida Vânia,

 

Falar que no Brasil as pessoas não têm o hábito da leitura ou que o brasileiro não gosta de ler, não é de todo verdade, mas se continuarmos a desfazer o que já está caminhando (bem) ou colocarmos cada vez mais dificuldades entre as pessoas e o livro e a leitura, sem dúvidas, contribuiremos para a ignorância e o desconhecimento. Existem muitas pessoas que dedicam suas vidas para construir o saber (o próprio e o do semelhante), não necessariamente um professor, mas quem gosta de ler e sabe o valor que tem, faz o possível para popularizar este “gosto”.

O que seria da literatura e do aprendizado da sociedade, se a valorosa obra de Machado de Assis (1839/1908), apenas para citar um exemplo, não fosse eternizada em livro e amplamente divulgada para a leitura? Os grandes estudiosos reconhecem que foi de fundamental importância o legado deste escritor, que influenciou grandes nomes das letras, como Olavo BilacDrummond de AndradeJohn BarthDonald Barthelme e outros tantos em sua produção literária.

Não devemos e nem podemos impedir o caminhar que o livro percorre. Acredite: quando uma janela é fechada, uma ou várias portas são abertas, especialmente falando do conhecimento.

Vânia Diniz, você é uma grande incentivadora da educação, do conhecimento e da leitura. Sou solidária com sua tristeza e indignação.

 

Abraços,

Edylsia Simas (Gacy)


Vânia, querida, eu lamentei muito o encerramento da biblioteca da farmácia...
Mas, os livros seguirão seu curso e continuarão chegando aos olhares amáveis de seus leitores.

Beijos, fique bem
Madalena Barranco


Querida Vânia

 
Conheço a sua imensa alegria em poder transmitir aos outros, a arte da leitura, que é apenas plausível aos olhos de quem a pode enxergar, aos olhos de quem não a pode, a única palavra a ser dita é... Lamentável. Que a leitura continue sendo o seu troféu... Não importa quantos serão os vencedores do mesmo, e sim, os poucos que conseguem ser vitoriosos através das palavras que tocam as nossas almas.
Beijo,

Débora Villela Petrin.

http://rebra.org/adm/admin.php?pg=escritora_biografia_ptbr.php

Vânia, fui lendo seu texto e sentindo uma dor profunda na alma,
o ser humano perdeu sua identidade, onde a alma já não consegue
separar a realidade do bem, é uma atitude inadmissível
o que fizeram na farmácia que divulgava livros aos seus clientes.
Chocante atitude.
Receba minha solidariedade ao fato,
com afeto,
Efigênia Coutinho
 


Aqui na cidade os escritores formaram  stand em vários estabelecimentos, como restaurantes, cafés, e os livros são utilizados como numa biblioteca ou podem ser lidos no local tb. A iniciativa tem dado resultados e está se espalhando. Acho que faltou sensibilidade ao fiscal. Tem que saber o que ampara legalmente a atitude dele para que não se perca um espaço cultural nesse país já tão carente de cultura.

Um abraço
Belvedere
 

Chico,
A burrice estática é uma infelicidade pessoal. Agora, quando a burrice se torna ativa, prejudica a coletividade.
Abraços
 Renato Campos
 

absurdooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo
Silvane Sabóia

Querida Vânia:
Lamento profundamente a atitude  obscura dessa entidade.
Um absurdo sem tamanho...
Que tal fazer uma reclamação na Imprensa?!
Um Abaixo-Assinado  online.
Fica a sugestão.
Beijos
Gustavo Dourado

 


Vânia, minha querida:
Esta é, realmente, uma notícia triste. Meu apoio incondicional à sua dor e ao seu luto - e que essa gente que provavelmente não teve
a chance da instrução possa repensar a situação e permitir que aquela farmácia volte a iluminar-se com a sua biblioteca!
Muito carinho,
Urda Alice Klueger
 

Amigo Simões

Estou solidário com o sofrimento da Vânia. De fato uma medida desastrada desse fiscal. Só temos a lamentar uma atitude tão retrograda.

Temos a tirar de positivo desse triste episódio, a atitude mui digna do grupo Gazal que acolheu os livros retirados da farmácia.

Abraços também entristecidos do

Leitor amigo

Orlando Machado Barcellos

  


OLá Vânia,
 

se quiser preparar uma nota de repúdio, ou mesmo esta, podemos divulgar na página do Sindicato

ou se tiver outra idéia para mobilização, podemos chamar nossos confrades

 

Abraço
Elias Daher

Presidente do Sindicatos dos Escritores do D.F.
 


Vânia
Será que não temos como reverter esta situação? E quem sabe fazer dela um estandarte?
O Brasil está mudando.Vamos correr atrás de nossos direitos de mostrar a arte onde nós quisermos?
Vamos falar bem alto?será que o Correio Brasiliense não nos pode dar uma mão?
Precisamos de um meio de comunicação que acredite em nós.Vamos fazer barulho com esta notícia dolorosa?
Quem sabe acontece?Precisamos de alguém que nos apoie.
Um jornalista, quem sabe? eu não quero dormir com esta na cabeça.
Ridamar Batista

Querida Vânia, lamentável esse fato ocorrido.
Você falou bem, a falta de sensibilidade do funcionário, e talvez mesmo de seu(s) chefe(s), cria um problema como este. Mas,
nós sabemos, a grande maioria dos políticos (i)letrada avança com unhas e dentes contra a cultura para o povo. A luta pela expansão
 da cultura, mesmo que seja de pequenos e simples folhetos com alguma poesia, "fere" a ética dos interessados em que nossa gente
seja guiada somente pelas barbaridades de ignorantes que enchem a cabeça do povo com BBBs. Isso, sem falar nas polpudas rendas
que saem do minguado trabalhador para enriquecer essa maioria antipatriota.
Mas nós sabemos, nada como um dia após o outro.
Beijos, e avante, amiga.
L.Stella Mello

Querida Vânia
Também não entendo essa atitude da Vigilância! Acho que, se existe algum entrave abrigado pela legislação municipal específica
do setor, deve haver um meio de corrigi-lo, contando para isso com a boa vontade dos vereadores da tua cidade, que são, em última
análise, as pessoas que fazem as leis municipais. Oficinas gratuitas e bibliotecas em todos os locais onde for permitido, é um dos
 caminhos para se criar o hábito da leitura no povo brasileiro, que, se sabe, só proporciona crescimento intelectual, informação,
 formação de valores, cultura, enfim. Desejo que este mal entendido seja desfeito.
Abraço,

Scyla Bertoja
 


Como? Foi fechada uma biblioteca justamente quando precisamente
ler e nos educar melhor?
 
Beijos, Vania querida
 
Lilly Paes Barreto

 Fiquei horrorizada com o que ocorreu com a biblioteca da farmácia de Brasília, que a Vânia alimentava com carinho.
Atitudes dessas não são apenas desoladoras. São desanimadoras.

Um beijo e boa semana!

Silvana Guimarães
 


Que loucura! Amiga!

São as “coisas” que não consigo entender no nosso País. Ainda bem que existe um Grupo Gazal!!! BRAVO!

Um beijão, da amiga,

Meireluce Fernandes


Lamentável Vânia,
Acho que, do ponto de vista da Vigilância Sanitária, se pode haver livros num açougue, porque não numa farmácia?
Essas coisas acontecem e vocês acharão outros espaços para estimular a leitura.
Beijos
Nazareth Tunholi
 

Amiga,
é por isso que estamos mergulhados neste país em que as autoridades não sabem o que fazem! Somo minha decepção à sua!
Beijo
Vania Serra


Olá Vania, boa tarde

 

Multar uma farmácia por causa dos livros?

Que absurdo este país!
Abraços

André Prado


Vania,
Me compatibilizo com você.
O problema está na cultura...
Beijocas,
Val Beauchamp


Prezada Vânia,

Fiquei desolada com a notícia que nos mandou. Uma pena ! Achei a idéia genial, poderiamos adotá-la em nossas cidades. Parabéns!

Abraços da

Sonia Sales


Link do Blog do Dr Paulo Roberto de Almeida


Esta mensagem foi encaminhada pelo contato do Portal Vânia Diniz
Olá Vania, conheci você pela REBRA, fiquei feliz de ver a sua luta pelo livro e ao mesmo tempo sofri junto, com a impossibilidade de colocar livros para emprestimo em alguns pontos que você havia conquistado. Sou editora em Goiânia e tenho a mesma missão que você, tornar escritores conhecidos, mas disponibilizar livros nas livrarias não garante que os autores serão lidos, e eu aqui fico buscando novas maneiras sempre. Só queria lhe parabenizar pelo trabalho e dizer que não esmoreça, a luta é diária, mas a conquista é crescentes e no final só vamos contar vitórias nem vamos nos lembrar das batalhas.
Um abraço
Izaura Franco
 

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