
Meu Sonho De Ano Novo
Vânia Moreira Diniz
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Aquela rua era minha conhecida de muitos anos.
Estava confusa, não sabia ao certo onde me encontrava, porém tinha certeza que
caminhara nela muitas vezes com íntima familiaridade.
Repentinamente vejo
alguém
conversando comigo e com quem mais? Com minha mãe, ali bem perto de mim, o rosto
jovem, cabelos negros medianamente cortados e jogados para trás sem nenhum
cuidado maior. Seus braços e pescoço que eu conhecera sempre com jóias e
bijuterias de valor estavam nus, o vestido lilás simples e reto, ereta, serena,
com o rosto calmo de quem se sentia profundamente realizada. Não havia sinal de
batom em seus lábios e tudo indicava que ela queria me dizer que essa era agora
sua vida e que se sentia completamente plena.
Ao seu lado alguém que eu não conhecia dando-nos notícias de sua mãe, uma
costureira que durante anos freqüentara nossa casa na Barata Ribeiro e costurara
para as crianças de minha família.
Lembrei-me então da figura de Dna Ormezinda, o porte elegante, muito talentosa
no que fazia e sempre falando com doçura e educação.
Minha mãe estava perto de mim, eu não queria deixá-la e embora desejasse sair
dali, precisava dela para me acompanhar e me sentir verdadeiramente segura. Não
poderia correr o risco de afastar-me e não vê-la mais.
Logo depois me vejo num lugar que me pareceu a cidade (o centro do Rio), onde
durante toda a minha vida eu acompanhara minha mãe e minha avó em passeios
inesquecíveis como por exemplo tomando lanches na Confeitaria Colombo ou
simplesmente vendo as vitrines da loja onde elas faziam compras.
Procurava com ansiedade o ônibus que me levaria à Copacabana, o bairro em que
fora criada, o porto seguro de minha infância e adolescência de onde só saíra
para me casar. Só que não via nenhum que tivesse escrito “Copacabana”, mas uma
mistura de endereços que eu fiquei tonta embora continuasse a andar atenta.
Entre as pessoas que passavam no meio da rua revejo então minha mãe, dessa vez
ostentando um sorriso tão cheio de paz e felicidade que me proporcionou um momento
de êxtase.Algo realmente indescritível
Alguém embora familiar e não identificado à poucos metros observava a cena e
mamãe a olhar-me sorrindo sempre, o rosto que eu já descrevi sem ostentação e
maravilhosamente belo, absolutamente nenhum artifício.
Fiquei parada, encantada, talvez pela primeira vez na minha vida, captando que ela queria me transmitir
algo importantíssimo e profundo e ouço-a dizer:
“Entre nós, minha filha, ou na nossa família,
podemos nos desencontrar, mas sempre voltaremos a nos encontrar”
Fiquei parada, encantada por aquela frase que revelava tanta coisa e um segundo
depois abria os olhos, atordoada desejando recordar o que se passara e pouco
depois fascinada porque lembrara que sonhara com minha mãe , dois dias
antes do final do ano de 2007, o mesmo ano em que ela se fora, mas ao mesmo
tempo reconhecendo que nunca a vira tão bem e tão feliz!
Não ouvi a sua voz, nenhum tom que eu quisera
escutar, mas sua frase me foi comunicada, de modo claro e perfeito e estava com
ela em minha mente quando acordei.
Agradeço por esse sonho que me traz lágrimas aos olhos e ao mesmo tempo um
sorriso de plena alegria por tê-la contemplado tão claramente e podido admirar seu rosto mesmo
que num sonho.
Vânia Moreira Diniz
31-12-2007
Nota Importante- Essa foto de minha mãe (acima) foi exatamente no ano de nascimento da minha irmã Cristina. Ela tinha 34 anos e Cris era a sétima a nascer.