


Vinicius de Moraes e Frota Moreira, amigos de fé.
A presença de Vinicius de Moraes em minha infância e adolescência foi profunda. Principalmente aos sábados, acordava com as músicas do grande compositor tocando em nossa casa e aprendi a reverenciar esse gênio poeta que circundava minha vida.
Foi diplomata, Poeta, dramaturgo, compositor e era chamado por seu biógrafo, José Castello “O Poeta da Paixão”
Meu pai amava Vinicius de Moraes e o conhecia bem, mas foi meu tio José Arthur da Frota Moreira, irmão de meu pai, (já escrevi sobre ele com o pseudônimo de Renato) que foi o grande amigo de Vinicius.
Meu tio exercia a advocacia e então seus caminhos profissionais não eram iguais, embora ambos fossem boêmios e amassem a vida de uma maneira parecida. Eram muito amigos e estudaram juntos. Tão amigos que meu tio morrendo muito cedo, com apenas 48 anos foi homenageado por Vinicius com um soneto que coloco abaixo.
Nunca esquecerei o som de suas músicas, o carisma desse homem que foi amado pelo Brasil inteiro com a força de seu talento e a sensibilidade de suas composições e sonetos.
Há pouco tempo recebi um e-mail de um editor que estava reunindo os sonetos de Vinicius e escrevendo um pequeno comentário sobre cada homenageado e ele me descobrira para que eu falasse um pouco de meu tio.
Comecei então a recordar esse homem tão controverso, deputado e advogado honrando seus títulos, alegre, polêmico com opiniões avançadas para sua época, enfrentando o mundo com um destemor absoluto e até quando o médico lhe anunciou que estava com leucemia ele não recuou, certo que no tempo em que ainda viveria descobririam o remédio salvador, o que não aconteceu. Mas ele viveu esperançoso, tranqüilo e confiante com essa certeza até que a doença tivesse mostrado realmente suas garras e o sofrimento se apoderado dele.
Ao grande Vinicius, o “Poetinha” maravilhoso que empolgava a todos, vibrante, entusiasta da vida e que viveu ali amando o mesmo bairro que eu amava e em que fui criada e o meu querido tio José Arthur da Frota Moreira , que não desanimava nas maiores intempéries e que eu considerava fascinante meu preito de carinho e amor.
Sei que estão em outro espaço, entusiasmando os
anjos protetores e eternizando uma amizade profunda e singularmente bela. Ao
Poeta ao meu tio a minha saudade e admiração.
Vânia Moreira Diniz
10-09-2009
Soneto de Vinicius de
Moraes
Dedicado ao amigo José Arthur da Frota Moreira
Soneto na
Morte de José Arthur da Frota Moreira
Vinicius de Moraes
Cantamos ao nascer o mesmo canto
De alegria, de súplica e de horror
E a mulher nos surgiu no mesmo encanto
Na mesma dúvida e na mesma dor.
Criamos toda a sedução, e tanto
Que de nós seduzido, o sedutor
Morreu nas mesmas lágrimas de amor
Ao milagre maior do amor em pranto.
Fui um pouco teu cão e teu mendigo
E tu, como eu, mendigo de outro pão
Sempre guardaste o pão do teu amigo
Meu misterioso irmão, sigo contigo
Há tanto, tanto tempo, mão na mão...
Ouve como chora o coração.
Vinicius de Moraes
http://www.viniciusdemoraes.com.br/site/article.php3?id_article=392
"Cinco elegias (1943) - O livro é dedicado a Octavio de Faria, José Arthur da Frota Moreira e Mário Vieira de Mello, colegas do poeta durante seus anos de estudante na Faculdade de Direito do Catete, entre 1930 e 1933. No prefácio, escrito pelo autor, registra-se que as cinco elegias foram concebidas e realizadas entre o sítio do escritor Octavio de Faria, em Itatiaia, em 1937, e Londres e Oxford, na Inglaterra, onde Vinicius, com bolsa do Conselho Britânico, estudou língua e literatura inglesas entre 1938 e 1939. Merece destaque a de número 5, escrita em português e inglês, com seus neologismos e explorações gráfica"