Textos em Prosa

Douglas Mondo

Lágrimas choram por ti

Ele é nosso jogo moderno de guerra. Exige sabedoria estratégica,
conhecimento exato do momento de atacar e defender, vontade de vencer e
principalmente, capacidade na execução da arte com a disciplina tática.

     Quem consegue adquirir força de conjunto utilizando todos esses aspectos,
consegue ser vitorioso e levar seu escudo para o mais alto degrau do
sucesso, registrando seu nome nos píncaros da glória.

     Dentre todas as atividades humanas pouco importantes, talvez seja a que mais
importância tenha para o homem moderno. Movimenta bilhões de dólares
anualmente e leva à riqueza ou à pobreza, homens fortes e fracos, no mesmo
instante da fama adquirida ou perdida.
Desperta paixão e culto aos ídolos que dominam a bela arte,
independentemente da língua falada, do credo orado ou da cultura existente.

    Poucos conseguem ficar à margem das discussões que seus embates despertam,
fazendo com que homens e mulheres se lancem em defesa de seus escudos e
ídolos, como se a disputa fosse apenas um meio veicular de veneração.

    Há, quase, uma divindade romana a esculpir seus mágicos dribles, no
quadrilátero imaginário que povoa o prazer da conquista da vitória dos
fortes sobre os mais fracos.

   Aos vitoriosos, o sabor da conquista. Aos derrotados, o choro da tristeza e
da desesperança.

   Assim foi, assim sempre será.

   Toda uma história de tradição e glória, perdida em poucos minutos que
separam a vitória da triste derrota na tabela da vida, salpicada pelas
apagadas estrelas da desilusão.

    O culto ao passado lançará pragas aos dirigentes cartoriais da atualidade,
como se culpados únicos fossem pela amarga derrota, tentando eximir de culpa
todos os guerreiros abatidos pela vitória do sábio inimigo.

    E o discurso da débil esperança se misturará às justificativas pela terrível
perda, levando antigos companheiros a se digladiarem entre acusações de
culpabilidade inerentes à própria incompetência de seus guerreiros, que não
honraram o nome marcado no peito.

   Um nome que foi defendido por verdadeiros guias para as novas gerações, com
seus posicionamentos perfeitos e suas posturas éticas na defesa da bela arte
da esgrima, onde seus pés feriram de morte escudos inimigos, que latejaram
na vermelha dor de seus nomes.

    Outrora venceu quatro jogos de guerra. Hoje morre de desespero e sofrimento,
ferido pela cores inimigas que o lançou na feia sarjeta da divisão dos
inferiores.

    Morto pelos pés da vitória. Palmas ao vencedor. Sem eira nem beira, perdido
entre luso fônico que agora bota fogo na gama de possibilidades que futuras
derrotas ainda possam manchar de roxo, não de verde, todas as vergonhas que
assolam as almas de seus seguidores.

    Após a derrota, lágrimas caem no fértil chão e purificam todos os espíritos,
brotando no triste parque, plantas daninhas que espantam maus olhados na
tremedeira da morte prestes a chegar e ao receber num jogo de palavras, a
estocada fatal da forte espada de São Jorge.

    Que a todos vence e se rejuvenesce na morte de seu mais velho inimigo, que
não fora por ele abatido, mas por outro amigo, que se assim não fosse, pelo
campeão dos campeões assim o seria.

    Lágrimas choram por ti, na antiga confraria, enquanto saboreio um salgadinho
junto com um refrescante chope gelado, na brincadeira das palavras
abrilhantadas por uma doce alegria.

    E o meu escudo alvinegro, de tradições e histórias mil, continuará vitorioso
pelos campeonatos afora desse lindo Brasil.

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