
Textos em Prosa
Diógenes Pereira de Araújo
Amazônia e Pantanal. Áreas Internacionalizadas?!
De há algum tempo para cá temos recebido notícia a respeito de a Amazônia e (também) o Pantanal constarem em livros de estudo nos Estados Unidos como áreas sob custódia internacional.
Recebi de um prezado Amigo, Edir Meirelles, membro da CNDDA (Conselho Nacional de Defesa e Desenvolvimento da Amazônia), cópia de artigo de Carlos Chagas, "Tribuna da Imprensa", Rio de Janeiro, 17.10.2000, onde este articulista nos alerta:
"Completam-se duas semanas desde que George Bush, em debate com Al Gore, declarou que as dívidas externas dos países em desenvolvimento, quer dizer, pobres, devem ser pagas pela venda de suas florestas tropicais. Traduzindo: o Brasil, o Equador, o Peru, a Colômbia e a Venezuela devem pagar suas dívidas entregando a Amazônia aos credores. Para quem julgava paranóia essa história da internacionalização da região, eis mais uma evidência de que estão não apenas de olho na floresta, mas anunciando quando e como tomá-la.
O adversário de Bush pensa igual. São de Al Gore, expressos há alguns anos, conceitos como o de que a Amazônia pertence à humanidade e de que a soberania brasileira é relativa.
QUEM SUGERIU FOI THATCHER
A primeira proposta de troca de bens naturais por dívidas deveu-se a Margaret Thatcher, quando era primeira-ministra da Inglaterra. A bruxa não fez por menos, exortando as nações do Terceiro Mundo a vender suas riquezas."
Depois recebi também do referido Edir Meirellles um artigo de Christovam Buarque, professor da UNB, autor do livro " A cortina de ouro" e Ex-governador do Distrito Federal, fonte: O Globo(23/10/2000):
"Durante debate recente, nos Estados Unidos, fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro.
Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha. De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso."
A seguir, continuou Christovam Buarque, com costumeira lucidez:
Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade.
Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da Humanidade. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado.
Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.
Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas á França.
Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano.
Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um pais. Não faz muito, um milionário japonês decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado."
"Se os Estados Unidos querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos Estados Unidos. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos Estados Unidos têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola."
"Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro.
Ainda mais do que merece a Amazônia."
Até aí o affair Amazônia.
Recebi também, através do serviço DIVULGAÇÃO - CÁ ESTAMOS NÓS do prezado amigo Carlos Leite Ribeiro, uma carta de Antonio Andrade de Oliveira, sob o título: "A DIFERENÇA QUE FAZ DIFERENÇA", onde este noticia o fato de que alguns países progrediram e se tornaram de primeiro mundo, apesar de suas desvantagens de ordens várias, enquanto outros, conquanto tenham vantagens de várias ordens, não progridem, não saem da condição de países de terceiro mundo. E pergunta:
"O que é então que faz a diferença?
A ATITUDE DAS PESSOAS FAZ A DIFERENÇA.
Ao estudar a conduta das pessoas nos países ricos se descobre que a maior parte da população cumpre as seguintes regras, cuja ordem pode ser discutida:
1. A moral como principio básico
2. A ordem e a limpeza
3. A integridade
4. A pontualidade
5. A responsabilidade
6. O desejo de superação
7. O respeito às leis e aos regulamentos
8. O respeito pelo direito dos demais
9. Seu amor ao trabalho
10. Seu esforço pela economia e investimento
Necessitamos de mais leis? Não seria suficiente cumprir e fazer cumprir estas 10 simples regras?
Nos países pobres, só uma mínima (quase nenhuma) parte da população segue estas regras em sua vida diária.
Não somos pobres porque ao nosso país falte riquezas naturais, ou porque a natureza tenha sido cruel conosco, simplesmente por Nossa Atitude. Nos falta caráter para cumprir estas premissas básicas de funcionamento das sociedades.
Se ama este país, faça circular esta carta para que a maior quantidade possível de gente medite sobre isto. Se esperamos que o governo solucione nossos problemas, ficaremos toda a vida esperando.
Quanto mais empenho coloquemos em nossos atos e mudemos nossa atitude, pode significar a entrada do nosso país na senda do progresso e bem-estar..."
Lendo os itens de 1 a 10 acima, tomo a liberdade de discordar um pouco do missivista. Suponho que o que falte ao brasileiro seja principalmente o item: 6. O desejo de superação.
Esse desejo de superação pode se traduzir em acomodação, apatia, indiferença e coisas tais, bem como se traduzir em falta de seriedade, a que se referiu DE GAULLE a nós em uma de suas visitas:
DE GAULLE
Disse
De Gaulle um dia ao visitar-nos:
"Este país é lindo: que beleza
existe em tudo: é bela a natureza,
é belo o sol, é belo o azul do mar",
e
assim, continuou a enumerar:
"E há também o aspecto da riqueza
do subsolo, da terra a cultivar,
das matas - e convém as preservar!"
Mas
depois colocou-se pensativo,
pois, como amigo, tinha que fazer
uma crítica, mas sem ofender.
Na
sua franqueza disse, e assertivo:
"O brasileiro é bom, não deletério...
porém não pode ser levado a sério..."
Em uma peça teatral Shakespeare, através de um personagem, afirmou que havia algo de podre no Reino da Dinamarca. Não sei dizer se era fato ou não, mas sei que atualmente a Dinamarca é a Nação com menor índice de corrupção da terra. Que a fala de De Gaulle pudesse nos estimular de igual maneira.
Bem provera que os brasileiros se envolvessem numa ação, o mais coletiva possível, ação na qual todos e cada um dos brasileiros fossem protagonistas e beneficiários das mudanças que se fazem necessárias. Um pouco de transformação do máximo de pessoas há de produzir uma grande diferença. É por isto que sugiro poemas como meios de motivar ao máximo de pessoas.