
Poemas
Daniela Resch
Céu
Tempestuoso do Amor
São Paulo , 30 de março
de 2001
Na
ponta do trovão ando
recolhendo sal no rosto , e do oceano ,
na
boca o coração vendaval ,
mordendo o céu e cuspindo-o .
Sentidos
,
um Deus do mar , atirado à costa
com algas e restos de naufrágio
que ainda estão pendurados .
Eu
só quero que me leves !
Na tua direção vai meu corpo ,
como uma onda , como cinzas .
Como mares se povoando ,
na submersa lentidão .
Venha
pelo meu corpo passear
construindo arreios
me dominando a alma .
Movimento
perpétuo
na tua espera .
Esforço de uma pálpebra
atrozmente levantada à força
em seu aguardo.
Um homem chuvoso e alegre
enérgico e com humor de outono .
A
chuvosa chegada
de um menino que tem meu rosto
mas , não reconheço .
Te
encontro ,
nas dunas , na espuma sagrada
ondas que o vento leva .
Voltam
e me assustam
num tom de comunhão .
Serena e Amável
posso beijar e sentir o seu aroma
de romã .
Amor
em Roma
manual da minha sabedoria .
Ouço tuas asas
teu lento vôo ...
sem sombra , sem nome .
Eu
sozinha
solitária
sem açúcar , sem boca .
Minha
fome é grande
se pudesse arrancaria meus olhos
pra tomares conta .
Tenho
sede da
tua voz de laranjeira .
Voz da minha poesia
que sae dando gritos .
Sua
ausência simples
me trouxe o verão .
Lábios rachados ,
beijam regiões de triste esplendor .
Rajada
de evocações
grandes facões
.
Chega a noite ,
cama onde morro lentamente .
Chega
aqui , vai
quero te coroar
puro como um negro relâmpago
perpetuamente livre ....
Exaltação
romântica
cheia de dores e
alegrias alheias .
Minha
mão ferida
sustenta um assombro enfurecido .
Um dia palpitante de sonhos ,
sou devoradora da noite
minha única possibilidade de alegria .
Dolorosa
... impossibilidade
de compartir os dons
a cólera do meu ardente desejo .
Grandes
vinhos , do amor
Sofrimentos , grandes livros
consolo da inevitável solidão .
Sons
celestiais
altas folhagens sombrias
seu misterioso silêncio ,
que vem dos montes ,
além da chuva .
Vens
... voando ...
te espero com flores deslumbrantes ,
entre minha cicatriz vertical no coração .
Vens
... chegando ...
sorriso branco , horizontal
o mesmo sorriso ,
pícaro e fraternal .
Suas
asas
riqueza melódica
atravessando léguas ,
meus territórios desconhecidos .
Ah
, minha adorada Valsa
meu céu tempestuoso ,
música pra toda vida .
Novas
goteiras de sua voz
velhas goteiras , doces
voando , caindo , serenando
sobre o meu Coração
Sobre a minha poesia .