TESES
COMBATE ÀS DROGAS
Vânia Moreira Diniz

 

Diagnóstico

          “Para que o profissional de saúde possa emitir uma conclusão diagnóstica sobre o paciente, é conveniente que a história deste seja explorada em duas linhas principais: a história pessoal e a história do consumo de substâncias psicoativas.

          De igual importância para o manejo terapêutico futuro é o exame das substituições de uma droga por outra, ao longo da vida. Exemplos: cocaína por álcool, álcool por benzodiazepínicos, cola por anfetamínicos e álcool, etc.

          Quando da coleta destas informações, é aconselhável sua confrontação com as impressões detectadas pelo profissional acerca do impacto desse fato na vida do paciente, pois tanto podem acontecer minimizações quanto exageros, estes, por sinal, mais freqüentes em pacientes adolescentes.

          O exame das diversas áreas da vida do paciente, tais como desempenho no trabalho e ou estudo, estado das relações familiares (antes e depois da instalação do consumo de drogas), amizades, lazer e estado orgânico, gerará dados indispensáveis para o diagnóstico não só da dependência, mas também do nível de gravidade.

          A inspeção cuidadosa pode evidenciar sinais importantes, tais como emagrecimento, cicatrizes e lesões decorrentes de punção venosa (principalmente braços e pés), icterícia, mau estado das peças dentárias, entre outros. À apalpação, organomegalias são achados freqüentes.

          O engajamento terapêutico

          Quando do tratamento de usuários ocasionais ou mesmo freqüentes, mas não dependentes de drogas, cabe insistir sobre a importância de uma parada ou, pelo menos, uma diminuição do padrão de consumo; cabe, ainda, tranqüilizar a família quanto à gravidade da situação, para que esta possa operar, por si mesma, a desdramatização requerida.

          Uma vez diagnosticada a dependência de drogas, a etapa posterior consiste em motivar o paciente (e sua família, quando indicado) para que se engaje em um processo terapêutico.

          Para que tal engajamento ocorra, a experiência ensina que o profissional de saúde precisa possuir uma postura tranqüila e desmistificadora a respeito da questão das drogas. Deve sempre lembrar que está diante de um paciente, e não um marginal ou delinqüente, ainda que este possa apresentar-se como tal. A manutenção de uma postura clínica aberta facilitará o diálogo, permitindo ajudar o paciente a perceber a correlação existente entre os inúmeros problemas que estão marcando sua vida e seu consumo de drogas, sejam lícitas ou ilícitas. Às vezes, esta percepção é suficiente para permitir um despertar da consciência e do desejo – ainda que flutuante – de livrar-se das drogas.

          A partir daí, deve-se estabelecer um contrato terapêutico onde o profissional e o paciente fixem os objetivos e modalidades do tratamento. Neste particular, quanto mais concretas as metas a serem alcançadas, melhor. Exemplos: abstinência imediata de todas as substâncias, redução gradativa, etc. De qualquer forma, deve-se respeitar a voluntariedade do tratamento proposto, a não ser que haja indicação compulsória por razões médicas.


 

A droga e suas perspectivas

               Não há ninguém, que em determinado período de sua vida, não fique fragilizado por alguma coisa. E as drogas quando fáceis podem ser um caminho inverso, é verdade, mas que os jovens costumam procurar. É certo que hoje as orientações são muito maiores, mas o apelo em diversas formas também o é.

             Eles se aproximam, atendendo uma solicitação de um amigo já viciado, ou até com a ajuda de uma pessoa experiente que pensa em grandes lucros com a inexperiência de adolescentes. E quando imagina que pode deixar já não consegue controlar.Isso varia muito de acordo com as tendências e a vulnerabilidade de cada um.

             Uma pessoa pode usar as drogas mais de uma vez e conseguir parar porque não é realmente tão vulnerável  a esse tipo de substância mas também não demora tanto a se manifestar essa necessidade, existem aqueles que uma dose já o torna irremediavelmente dependente.  De qualquer maneira o perigo do uso de qualquer tipo  de droga é perigoso ao extremo. Na primeira vez talvez ele sinta  uma sensação ilusoriamente agradável, esquecendo problemas e embarcando numa viagem inconsciente, mas isso demora um tempo restrito. E à medida que a for utilizando mais, menos tempo ela faz efeito. O usuário procurará obter a droga de qualquer maneira. E  depois principalmente porque a falta dela ocasionará um mal estar crescente e doloroso, muitas vezes podendo ser fatal.

               Quanto mais vezes isso se repete menos efeito aquela mesma quantidade terá no organismo e a pessoa procurará mais e mais. E depois de viciado, a eliminação dessa substância no organismo além de fazer mal, acarretará danos imprevisíveis porque a aparente calma é o uso da própria droga . É um estado doloroso, progressivo, marcante e desesperador.

                A síndrome acovarda quem é vítima dela, por ser um caminho diríamos quase sem volta, principalmente quando o viciado não procura ou não obtém ajuda. E isso porque a síndrome só melhora com a absorção da droga que ao mesmo tempo vai se tornando mais difícil porque a exploração financeira se dá de maneira atormentada. e a pessoa nem sempre tem recursos para conseguir o dinheiro obtendo  a substância que aparentemente lhe aliviará. E não se deterá diante de nada, para conseguir, na agonia que é possuído.

                É um drama de proporções desafiadoras, o jovem ou a pessoa que usa a droga se torna em geral agressiva, e com vários defeitos de personalidade. Os amigos se afastam, eles mesmos não querem conviver na sua antiga roda e o pensamento persistente e único e conseguir mais e mais aquilo que lhe dá um conforto, mas que o irá tragando e se não conseguir uma forma  de ajuda poderá levá-lo à fatalidade.

               O viciado não tem mais uma vida própria, vive para o vício e como suas síndromes são realmente desesperadoras ele tem medo de  não conseguir detê-la, tomando mais e pensando sempre num meio de obtê-la. Muitas vezes os delinqüentes que vemos e sabemos de sua história é produto dessa procura incessante pelo dinheiro que poderá momentaneamente e de forma rápida lhe dar um alívio.

               É esse o doloroso início do viciado em drogas e aquele que uma prevenção ainda consegue tirá-lo desse círculo vicioso poderá considerar-se um vencedor e exultar pela felicidade de ter se livrado desse caminho tempestuoso.

                Depois veremos de maneira mais lenta como esse caminho pode ser rápido, desesperante e fatal.

 

70 - BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

AITER, M. A. B. Drogas: drogas e conseqüências. 3a ed., São Paulo, Editora Jeonissi, 1994.

BUCHER, Richard:Prevenção do uso de drogas/ [pela ] equipe do Cordato-coordenador do Cordato. CEAD vol. 1, Editora UnB.1989

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MURAD, J. E. Drogas: o que é preciso saber. 3a ed. Belo Horizonte: Editora Lê. 1990.

MURAD, J. E. O que você deve saber sobre os psicotrópicos: a viagem sem bilhete de volta. 2a ed. Rio de Janeiro: 
Editora Guanabara Dois, 1972.

SECRETARIA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE, Normas e procedimentos na abordagem do uso de drogas. Brasília, 1991

OLIENENSTEIN, C. A droga: drogas e toxicômanos. 2a ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1984.

 

 

 

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