Poemas

Edison Veiga Junior

Acridofagia espontânea

Trago um estrago comigo,
Um cigarro que trago,
Um pigarro (que estrago!),
Um sarro que estrago.
Sou acridófago.

Somos todos índios imberbes democratizados pela imbecil sociedade;
Somos todos poetas anônimos lutando em busca da felicidade;
Somos todos fracos brasileiros querendo sempre mais dinheiro;
Somos todos bebuns desmotivados correndo da água do chuveiro;
Somos todos vermes nojentos atrás de algum lixo pra comer
Enquanto pálidos cientistas não querem curar o HIV.
Sou acridófago.

Nada é perfeito!
Por isso nadamos neste oceano da perfeição;
Por isso sucateamos tijolos de construção;
E amamos os males de nossos coração.
Tua tristeza é vazia.
Sou acridófago.

Quero cuspir-te um catarro estragado
Tragando um cigarro que trago de carro
E se a cigarra canta eu canto um sarro
Tragando a indecência de um pigarro assim

Nada é perfeito.
Ninguém é feliz.
Todos tomam no nariz
E dizem não ter defeito.
É um despeito
Eu sou suspeito
Por ser acridófago!

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