Poemas

Eliana Mora

Moldura para um quadro inacabado
27 de fevereiro de 2000

Uma tiara de papel
um jeans surrado
nada de requinte ou acessório de chanel
para modificar a tela
cachos reluzindo sobre testa contraída
moldura pós-moderna de uma tez
bem clara
onde reinaram certos brilhos cor de terra
e moram hoje algumas rugas
de expressão
       sinais da falta de maior hidratação com cremes caros
quem sabe  
aquele novo da shiseido
gotas de alguma vitamina poderosa
em frasco côr de fúcsia
do glamuroso anúncio
na televisão

Mas devolver à quela tez os tons de rosa
demanda mais do que alguns dotes de uma lente
sutil e poderosa
a desenhar o rosto muito maquilado
num resultado de trabalho
em asa 1000

O que
na realidade  está fazendo falta
são os eflúvios de um velho tratamento
que não depende de retorno
ao juvenil

A tinta dos pajés antes da guerra
muitas areias sob os pés
o mar  a terra
a cara suja com a seiva do urucum
o velho ungüento cura-tudo dos selvagens
de novo as temerosas trilhas do saara
em meio a cactus suculentos
e miragens

Por que a Vida não foi feita para ficar presa na parede

[como um quadro

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