Poemas

Eliana Mora

Prisão a Dante
cinco de fevereiro de 1999

Onde estás oh cavaleiro
que em tantas viagens vi
dedilhando  orquestrando
tocando aqui e ali
Regendo valsas eternas
olhando a dama bonita
que deixaste sem senão
sem saber se ela queria
mudar  de religião

Em que grotas estarás
de que buraco do Inferno teu corpo
resssurgirá
que contos me contarás
com que surpresa divina
virás num qualquer momento
de repente  me assaltar

Tornar-me aquela Duquesa
entregue hoje a lembranças
sem nem mesmo ter certeza
se ainda tens esperanças
de enfim alcançar a glória
em algum país divino
ou simplesmente  vagar
preso a um falso destino

Com aranhas que te obrigam
a doar teu sentimento
e tu te envolves nas teias
só consegues
sofrimento

Não te vejo repetir
eternas canções a Dante
e nem ao menos sair
com tua alma amorosa
para um local mais
distante
na busca de novo Amor
     [outra dama    sem rancor

Vejo dizeres ainda
que tua dor não termina
mas vejo tudo somente
nos porões da minha mente
como desejo
[neblina]

Porém criar um repente
uma cena de verdade
purgar o resto da sina
e aparecer na cidade
nada disto te permites
Com a tua exaltação
acabas voando alto
deixas o mundo  no chão

Porém de tanto esbarrar
com teu Amor em teus sonhos
sem ter a coragem pura
de se despir dos medonhos
charcos  desvãos e fagulhas
Vais descendo
      ainda mais
já não sei nem onde estás

E tudo vira passado
as estrelas  as canções
tudo fica para trás
nosso desejo   Beethoven
os poemas recitados
o calor de dois amantes
e a graça dos salões

Tudo herança
clandestina
que nem teu peito domina

Corações despedaçados
muitos planos
desdenhados

Céu   Inferno

[de ilusões]

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