Poemas

Pedro Cardoso Machado

ENTRELINHAS

Nas entrelinhas do seu corpo

Me vejo acanhado

E às vezes, muito louco.

    

Galopo por entre as curvas,

Cada qual mais perigosa

Cada qual mais excitante.

    

São passadas convergentes

De um galope cadenciado e vibrante

Deste cavaleiro obscuro e errante.

    

Galopo pelas mil vertentes,

Em deslizes divinais e carentes

Onde ouço, apenas os seus ais.

    

São gemidos carnais e labiais,

Que procuro nos vis matagais

De outros e outros, quase iguais.

    

Não pretendo ouvir qualquer palavra

E pra que ouvir? Se o que quero é me prostituir

Como se fossemos doentes mentais.

    

Eu me toco, eu me mordo,

Eu me procuro no seu dorso,

Como se fosse um intruso.

    

Vou a nascente

Planto a semente

Meu Deus, sou mesmo um doente.

    

Mas e daí?

Sou assim mesmo

Sou teso.

    

Sou menino, sou querido,

Às vezes sou marido

Às vezes sou o prostituído.

    

Ah, deslizo quase bêbado

Entre um lábio e outro,

Sem receio ou medo, em pleno gozo.

voltar