O que há de vir

Quero fazer do meu poema um bálsamo

em vez de um canto de agonia.

Mesmo que as rimas não concordem,

porei todo o canto na poesia.

Unirei as pétalas desfolhadas

Das rosas pálidas do dia,

para que não sintam à noite

uma vida insípida, vazia.

Semearei o verde do deserto

com a mais perfeita harmonia.

E o beduíno viajor

não sofrerá tanta agonia.

Reunirei tudo o que é belo,

sem esquecer o canto da cotovia.

Entregarei Romeu à Julieta

para que a vida lhe sorria.

Farei assim o meu poema

com razões que eu queria,

mesmo que as rimas não concordem,

darei um mundo novo a poesia.

voltar